01/03 – Sharm El-Sheikh – Mergulho, Kite e Balada!

Logo de manhã, já fui até a escola de mergulho do meu hotel (Grand Blue) e fechei um pacote de uns 8 mergulhos. Por sorte, havia uma parede de 30 metros de profundidade exatamente na frente do meu hotel. O nome era Pinky Wall, em referência à diversidade de cores dos corais e peixes. A nossa saída seria a partir de um deck na frente do hotel, e logo na saída o Ramy (meu instrutor) deixou a máscara cair na água! Por sorte a profundidade nesse pedaço era menor (uns 8 metros) e desceu com a minha máscara e conseguiu buscá-la. Óbvio que não me causou uma boa impressão, né? De qualquer formar, achei que valeu muito a pena ficarmos por ali mesmo. Poderíamos ter feito o segundo mergulho também na Pinky Wall, mas decidi ir para o outro lado (Amproras). Esse já era um drift dive (mergulho à deriva, onde você inicia num ponto e termina em outro). O mergulho foi ok, mas não me impressionou muito, principalmente depois da Pinky Wall.

Como eu não poderia fazer o Live Aboard, achei que seria bacana passar a semana fazendo um mix de mergulho e Kite Surf. Fui almoçar, e à tarde fui à Kite Junkies – a escola de Kite mais famosa de Sharm El-Sheikh, em Nabq Bay. Negociei um pacotinho para o primeiro e segundo níveis e conheci o Hatem, que seria meu instrutor. Gente finíssima!

Descobri que todos os alunos novos têm que usar um capacete amarelo ridículo, que deve ter mais ou menos o seguinte significado: “Perigo! Prego na água!!” Eu achava que aquilo não poderia ser tão difícil, e de fato toda a parte teórica e a parte de controlar o Kite foi tranqüila, até começar os exercícios de ser arrastado. A partir daí começou o show de horror! O Kite estava puxando demais, e depois de ver a minha dificuldade, o Hathem tentou e também não conseguiu controlar o Kite. Foi aí que percebeu que o nosso Kite não estava adequado para as condições do vento e decidiu trocar o Kite. Demorou tanto que mudamos os planos, saímos da água, e fizemos a segunda parte da aula na areia. O que eu queria mesmo era pegar a prancha, mas a verdade é que ela ainda estava bem longe de mim…

Primeira Aula de Kite - Sharm El-Sheikh, Egito

Depois da aula fui para o hotel. Estávamos em plena terça-feira, mas eu estava a tanto tempo sem uma baladinha sequer, que resolvi dar uma checada no que estava acontecendo na cidade. Após o jantar rolou um show de dança do ventre.

Depois do show, lá fui eu para o centro conhecer a tão falada balada de Sharm El-Sheikh. A primeira balada que eu entrei foi a Pacha. O lugar é gigantesco (acho que maior que a de Ibiza) e estava tocando um house legal, mas só um quinto do lugar estava sequer iluminado, dada a pouca quantidade de gente que tinha ali – no máximo uns 30 gatos pingados! Dali, fui para a Hard Rock. Também era mais ou menos como todas as outras Hard Rock que abrem como balada, mas era como uma visita ao zoológico: cheio, mas com todo tipo de espécies que se pode imaginar! Para dar uma idéia do naipe, quando cheguei estava rolando uma dança das cadeiras! Achei melhor tentar o próximo. Era o Little Budda180. Estava mais cheio que a Pacha, mas também um povo esquisito, e música ruim. Acabei voltando para a Hard Rock e ficando por lá até umas 3:30 da manhã.


28/02 – A Bactéria

Companheiro que é companheiro está junto nas horas boas e nas horas difíceis, então nada mais justo que dividir com vocês o sofrimento desse dia!

Eu não estava me sentindo muito bem desde ontem, mas hoje acordei com aquela necessidade enorme de ir ao banheiro! Para minha alegria, não havia papel no banheiro. Fui até a recepção já passando mal e pedi papel. A resposta:
– “Desculpe senhor, mas não temos.”
– “O quê?! Amigo, você não tá entendendo… Eu preciso de papel, agora!”
– “Lamento, senhor. O senhor pode comprar no centro…”

Saí à procura de papel, e tive a desagradável surpresa de que além de as lojas fecharem muito mais tarde em Sharm El-Sheikh, elas também abrem bem mais tarde! Fui encontrar amparo na mesma lojinha que me vendera o adaptador ontem!

Voltei para o albergue suando frio, mas aliviado e na seqüência já fui direto para o hotel novo! Mais uma vez, fui do inferno ao paraíso! O hotel (Shores Amphoras) era super bacana, 5 estrelas com direito até a carrinho de golf para me levar para o quarto! Tudo isso, pela bagatela de USD45 por noite! Eu não tava nem acreditando! Tinha alguma coisa errada naquilo…

O minha incontrolável atração pelo banheiro continuava, e obviamente isso não me deixaria mergulhar tão cedo – se você não sabe, mergulhar com esse tipo de probleminha “dá merda”, se é que você me entende – então aproveitei para ir procurar um SimCard para o telefone.

O resto do meu dia foi mais ou menos o seguinte: praia, banheiro, computador, banheiro, lobby, banheiro, … Até que tive a brilhante idéia de ir na farmácia do hotel (sorte que tinha farmácia dentro do hotel, porque o meu raio de alcance não era maior que isso…). O cara explicou que eu tinha contraído uma bactéria e me deu logo um remédio pra bactéria e um antibiótico pra garantir.

No final da tarde melhorei um pouco e fui procurar alguma atividade pra fazer. Descobri que Sharm El-Sheikh tem um Kartódromo considerado o quarto melhor do mundo! Claro que fui conferir, né?

Eles tinham karts de 6.5hp, 9hp, e 22hp (Kart de competição). Quando cheguei teria uma bateria de 6.5hp e correriam comigo mais dois (pai e filho). Tentei negociar um desconto para dirigir o Kart de competição (USD185/15minutos!!!), mas nada feito. Além disso, como não tenho licença de competição, eles teriam que me avaliar na pista para ver se poderia dirigir o 22hp.

Fui pra pista e acabei dando umas 3 voltas nos outros dois. Quando terminei o comissário veio me comprimentar: “Muito bom!” Eu tinha feito o melhor tempo da semana, e terceiro melhor do ano! Pelo visto Sharm El-Sheikh tá bem vazio mesmo! Hehehe

Eles me perguntaram se eu participaria do Grand Prix. Como eu não estava sabendo, me explicaram que haveria uma corrida no dia 11 de março (quase duas semanas depois), valendo um Kart de 32hp (um modelo novo, com marcha que vale uns USD10mil) e disseram que os comissários tinham certeza que eu ganharia. Falei que eu tinha que ir embora, e o cara: “É… Tem gente que não tem sorte mesmo! Com os seus tempos, a gente acha que o Kart era seu!”

Por um lado eu achava que ele só estava querendo encher o grid da corrida, mas por outro pensei que, do jeito que isso aqui tá vazio, talvez eu até tivesse chance mesmo…

Nisso chegou um Italiano que havia me visto na pista e me convidou para uma bateria de 9hp com ele. Eu tava com o braço dolorido da primeira bateria, mas o comissário de pista disse que o cara era profissional, que tava sempre lá, etc. Fiquei curioso para ver o nível da competição. Agora sim, consegui negociar quase metade do preço para andar no 9hp (percebi que eles queriam me ver andando com o Italiano) e topei.

Eles abriram um pedaço maior da pista só para nós dois. Fiquei na frente na tomada de tempo e após a largada consegui me manter na frente. Na segunda curva o cara rodou! Abri um pouco, mas na segunda volta foi a minha vez de rodar na mesma curva! Aquele trecho da pista parece que fica quase sempre fechado e basicamente, não tinha borracha na curva. Para melhorar, o que faltava de borracha, sobrava de areia! Imagina você vir no cacete e tentar freiar num asfalto cheio de areia! Show de horror!!! Rodei três vezes na mesma curva! Resumo: levei um pau do Italiano – apesar de ficar só a 4 décimos do tempo dele. Como ele está sempre no Kartódromo e é dos melhores daqui, acho que até tenho chances na corrida. Se der a louca, eu volto só pra correr dia 11…

Quando voltei para o hotel já era tarde. Jantei, escrevi um pouco, e capotei.


27/02 – Sakkara e as Pirâmides

Eu só tinha mais uma manhã no Cairo, então marquei com a Amina às 8:30am para irmos a Sakkara e terminarmos a manhã nas pirâmides de Giza. Antes de sair, passei no caixa automático do hotel para tirar dinheiro. O caixa automático acabou engolindo o dinheiro e confirmando a operação! Acabei perdendo quase uma hora discutindo com o pessoal do banco até conseguir uma declaração de que de fato o dinheiro havia ficado preso e que se a operação não fosse cancelada, eles me ressarciriam. Acabamos saindo bem atrasados…

Em Sakkara, apesar de estarmos atrasados fui o primeiro ticket vendido no dia! A correria atrás de mim era sufocante. Imaginem uma quantidade de ambulantes suficientes para atender a mil turistas por dia e só eu lá! Camelos, burricos, cartões postais, papiros, miniaturas de esfinges e pirâmides… em fim: o que vocês imaginarem me ofereceram. Um inferno! Mas tudo bem. No fundo, eu ficava mais penalizado por eles do que irritado.

Na primeira parada, vi um cavalinho meio-árabe que gostei e resolvi dar uma volta. Óbvio que na volta alguns ambulantes queriam que eu desse volta no camelo, no burrico, tirasse foto com o anão, e daí por diante… mas tudo bem. O importante é que tive uma prévia do que seria o passeio no deserto que eu queria fazer na Jordânia!

Os locais continuavam abordando a Amina para perguntar se o turismo havia voltado, mas o mais engraçado era a quantidade de gente que pedia para tirar foto comigo! Era pior do que no interior da China! Perguntei à Amina se aquilo era normal, e ela disse que não. Segundo ela, havia dois motivos. O primeiro era que não havia turistas no Egito na fazia algum tempo, e eu representava a esperança da volta do turismo. O segundo é que eu era parecido com um ator Egípcio muito famoso (um tal de Ahmed Ezz), e por isso todo mundo queria tirar as fotos. Não dei muita trela, mas depois de até os soldados do exército pedirem para tirar foto, fiquei curioso e fui checar a fuça do meu suposto sósia na internet. Olha… vou dizer que talvez o branco do olho seja parecido. Nada a ver mesmo! Quem me dera fosse sempre assim, né? rsrsrs De qualquer forma, vou colocar uma foto do cara aqui no post e vocês me dizem o que acham. Olha ele aí…

Ahmed Ezz - ator Egípcio e meu sósia, segundo a Amina

Passamos a manhã visitando os diferentes complexos de pirâmides de Sakkara. Entre elas, a primeira pirâmide a ser construída – pelo Rei Idot, a 4800 anos atrás! – Essa ainda era feitaem degraus. Apósuns 200 anos o Faraó Snofru, que não queria ficar para trás, construiu em Dashur a primeira pirâmide contínua, que na verdade é uma cobertura adicional de alabastro – ou se vocês preferirem, o equivalente àquele tapa de massa fina do tempo dos faraós – Para mostrar que era bom mesmo, ele não fez uma, mas duas pirâmides para si próprio!

De lá fomos para Giza ver as famosas pirâmides de Kheops, Kefern, e Mycernous. Para quem não sabe, essas são aquelas pirâmides famosíssimas que sempre aparecem nos filmes e documentários sobre o Egito, do lado da Esfinge. São famosas pela sua grandiosidade, com 146m, 137.5m, e 62m, respectivamente. A curiosidade é que nos filmes, as pirâmides parecem estar no meio do deserto, mas na verdade estão praticamente dentro da cidade.

Entrei na pirâmide de Kheops, que é a mais famosa, e apesar de ser proibido (como estava sozinho), não resisti e tirei umas fotos lá dentro. Aqueles túneis minúsculos são realmente impressionantes, além do fato de as pirâmides serem finalizadas já com grande parte do tesouro do faraó lá dentro! Falando sobre as tumbas dos Faraós, descobri que o Rei Tutankhamun, ou simplesmente “King Tut”, como eles o chamam – talvez o mais famoso Faraó da história – foi na verdade um rei praticamente irrelevante na história do Egito antigo. Na verdade começou o seu “reinado” aos 9 anos de idade e morreu aos 18. Ou seja: mandar mesmo, lhufas! A razão de tamanha fama veio depois da morte, pois a tumba do King Tut foi a única até hoje a ser achada intacta, e foi essencial para permitir-nos conhecer mais sobre o processo de sepultamento e tudo o que envolvia um túmulo de um faraó.

Bom… isso encerrava o meu breve período no Cairo, pois eu ainda queria passar alguns dias mergulhandoem Sharm El-Sheikh. Fui para o aeroporto perto da hora do almoço e acabei chegando em Sharm no final da tarde. Lá, fui direto para a Aqua Nabq, a escola de mergulho líder de recomendações no TripAdvisor,em Nabq Bay.

O meu plano era fazer um Live Aboard, onde você fica num barco durante alguns dias e faz vários mergulhos por dia. Porém, chegando lá descobri que os meus planos não funcionariam, pois não havia muitos turistas, e pagar toda a estrutura de um barco (marinheiro, instrutor, cozinheiro, etc) só para mim estava fora de questão. Já que não poderia fazer o Live Aboard, espremi o pessoal da Aqua Nabq  que me fizeram um pacote de 10 mergulhos a um preço fantástico! Pedi sugestão de um hotel barato, e disseram que me levariam ate lá. Eu precisava pegar a minha mala no táxi na frente do hotel – em Sharm, as escolas de mergulho ficam todas na praia, dentro dos Resorts, e o meu táxi estava lá na portaria com a minha mala – esperei cerca de 40 minutos na portaria, e nada de eles aparecerem! Eu sabia que a loja já havia fechado e eu ainda não tinha um número de celular local do Egito, então acabei demorando para conseguir falar com eles de volta.

Depois de um certo perrenguinho, consegui falar com o dono da Aqua Nabq, que foi atrás do cara que tinha falado comigo. Justificaram que haviam ficado me esperando, mas eu não apareci – mentira, mas tudo bem – e explicaram ao meu motorista como chegar ao hotel que haviam sugerido.

O lugar era na verdade um albergue, mas pela recepção, era o albergue mais chique que eu já havia visto! Inteirinho em mármore e granito! Fiz o check-in e fui para o meu quarto, para ter a desagradável surpresa que eu estava na verdade num moquifo de quinta! Eu não sou um cara fresco, mas o quarto era uma nojeira! O colchão fininho, até vá lá, mas o banheiro não tinha porta, que dirá box! Em fim… estava ali no meio do nada , sem internet, e seria meio difícil conseguir outro taxi, então resolvi dormir ali mesmo.

Precisei sair para comprar um adaptador de tomada e tive pelo menos uma boa surpresa: ao contrário do Cairo, em Sharm todo o comércio ficava aberto até meia noite! Consegui o meu adaptador rapidinho!

Voltando ao albergue, tive mais uma surpresa desagradável: não havia papel higiênico no banheiro! Foi um certo desespero, mas o perrengue mesmo veio no dia seguinte…


26/02 – Cairo após a revolução

Acordei cedo e liguei para o Khaled – o guia campeão de recomendações no Tripadvisor – mas ele não podia trabalhar, pois iria participar das “demonstrações”. Para posicionar vocês no tempo, estamos cerca de uma semana após a queda do Mubarak. Isso sem dúvida acalmou os ânimos no Egito, que estava em pé de guerra, porém a população não estava satisfeita em ser governada pelo Conselho Supremo das Forças Armadas por seis meses, como havia “ficado combinado”.

Confesso que fiquei surpreso com o fato de Khaled recusar trabalho para fazer parte das demonstrações, principalmente pois eu vinha acompanhando de perto a situação no Egito desde o início da Revolução. Em resumo, o turismo de estrangeiros no Egito tinha chegado a praticamente a zero, e para quem vive de turismo como ele, isso significava estar sem renda a quase dois meses! E ainda assim, preferia participar dos protestos a trabalhar! Isso foi algo que custei um pouco a entender.

Em fim… Como não poderia me ajudar, o Khaled me recomendou a Amina, que na verdade era a número dois em recomendações no TripAdvisor. Negociamos um pouco e acabamos fechando um dia e meio, que era o tempo que eu teria no Cairo, por USD200, incluindo todos os ingressos e o motiorista a disposição durante todo o período.

Durante o trajeto vi diversas vezes carros estacionados em fila dupla e aquilo não parecia fazer muito sentido. Perguntei à Amina como os carros bloqueados faziam para sair. A resposta foi imediata: “É só empurrar!” Os carros ficam sem o freio de mão puxado, do mesmo jetio que na orla no Rio, Guarujá, etc. Então, basta empurrar um pouco e os carros que estão presos conseguem abrir espaço para sair. A diferença é que aqui isso acontece em tudo quanto é lugar!

Apesar de o Mubarak já ter caído, era possível ver o exército nas ruas em vários locais diferentes. Ainda antes de chegar à nossa primeira parada, vi o prédio do National Party (partido do Mubarak). Havia sido completamente queimado durante a revolução! Pedi para passarmos ali perto e aquela imagem, junto com os tanques de guerra na rua foi forte que não deixava dúvidas sobre o clima de guerra… Lembro que durante a infância tive um período de verdadeira fascinação pelo Egito antigo e a civilização da época dos faraós, mas não vou negar que a revolução e a sensação de ver a história sendo escrita estava me interessando ainda mais do que as pirâmides e a história antiga.

A Amina foi me contando sobre a revolução sob a ótica dela. Eu queria sair do carro e andar no meio das manifestações, mas ela insistiu muito para que eu não fosse. O máximo que consegui foi passar de carro pelas manifestações na Tahrir Square, com o corpo fora do carro. Ela justificou explicando que já prestes a cair, o Mubarak soltou todos os presos das cadeias, e que apesar de o exército estar na rua, ainda havia uma insegurança muito forte.

A nossa primeira parada foi o Museu do Egito (ou Museu do Cairo). Minha primeira lição foi que, ao contrário do que eu pensava, o turismo não é a principal fonte de renda do Egito. É a segunda! Alguém adivinha qual é a primeira?? Acertou quem disse Canal de Suez! É o maior canal artificial do mundo (com 163km) e é responsável por boa parte do leitinho das ciranças na terra das pirâmides!

Entre uma série de estátuas e artigos do Egito antigo, umas estátuas pequeninas me chamaram a atenção. Perguntei à Amina e ela me explicou que representavam pessoas fazendo cerveja! Quem diria… 2400 anos antes de Cristo! Eita olho clínico, hein! Rsrsrs Tudo bem… Também estavam fazendo pão, mas convenhamos: isso não tem a menor importância! O que importa mesmo é a cerveja!

Outra curiosidade sobre o Egito antigo é a importância dada aos anões, que são retratados em várias pinturas e estátuas. Eram importantes por serem joalheiros muito habilidosos, mas principalmente por divertirem os reis! First things first… A importância era tamanha que muitos eram “importados” da África. Outros que eram retratados em vários momentos eram os inimigos, representados na forma de negros, asiáticos, e brancos. Não me surpreende que o império Egípcio não tenha perdurado…

Durante a visita, falamos um pouco sobre os saques sofridos pelo Museu durante a Revolução, quando o Mubarak tirou a polícia de lá. O Ministro das Antiguidades havia vindo a público na semana anterior para dizer que após a recuperação de várias peças, apenas oito peças ainda estavam desaparecidas. Obviamente uma mentira deslavada! Eu vi prateleiras inteiras vazias. A estimativas da Amina, que vivia lá, é que ainda faltem cerca de 200 peças. Deve ser mais próximo do número real… Agora o exército estava fazendo a guarda do Museu. Não faziam controle das fotos, que são proibidas ali, mas na saída fomos revistados para garantir que não estávamos roubando nada.

A Amina é visivelmente apaixonada pela história antiga do Egito e isso obviamente enriquece muito a visita, mas pelo visto não percebe que é impossível gravar os nomes de todos os reis em meia hora. Além disso, fica o tempo todo pedindo para eu adivinhar as coisas. Imagina só: “Alex, adivinha porque os reis eram representados sempre segurando algo com o braço estendido?” ou “Adivinha porque os reis usavam tanto ouro nas esculturas se a prata era mais preciosa?” Óbvio que eu não sabia nenhuma resposta, mas ela sempre falava “Tenta! É fácil!” Posso dizer que depois da quinta pergunta irrita um pouco…

Do Museu fomos para Citadelle de Saladin. Havia tanques de guerra parados na entrada, e para minha surpresa a Amina pediu para tirar uma foto comigo no tanque (depois dela, foi a vez do motorista). A Citadelle foi construída no século 12 para proteger o Egito das cruzadas que atacavam Jerusalém naquela época. Como não haveria tempo suficiente para cortar pedras para a construção, usaram a cobertura mais externa das pirâmides. Naquela época os hieróglifos ainda não haviam sido decifrados e não se sabia muito sobre os faraós, portanto eles não sabiam o crime que estavam cometendo!

A Amina me perguntou se eu já tinha ouvido falar de Saladin. Eu disse que só aquilo que a gente come antes do “main coursin”… (infame, eu sei…) Era na verdade tratava-se de um Turco que comandou o Egito no século 12 e foi quem comandou a construção da Citadelle. Dentro da Citadelle, um grupo de estudantes pediu para tirar um foto minha com eles e um cartaz que dizia “Egito: terra de paz”.

A mesquita mais importante do Egito foi construída dentro da Citadelle por Mohamed Ali (não o lutador) e leva o nome dele. Foi construída toda em alabastro (uma espécie de mármore muito comum no Egito). Um aspecto interessante da decoração da mesquita é que nela podem ser encontrados motivos cristãos. A razão é que naquela época os melhores artistas eram cristãos, então Saladin os contratou para decorar a mesquita e eles aproveitaram para deixar gravados alguns toques cristãos, como ramos de vieiras.

Sentamos ali no meio da mesquita para a Amina me falar um pouco sobre a história do lugar. Num dado momento ela solta a seguinte pergunta:

– Alex, você acredita no “julgamento”?

Vendo que eu hesitava um pouco, ela insistiu e pediu minha opinião honesta.

– Não. – respondi meio seco

– Então você acha que as pessoas podem vir aqui, fazerem o mal que bem entenderem e vai ficar tudo bem?! – ela retrucou com um ar de satisfação, de que tinha me pego no contrapé.

Como ela disse que queria a minha opinião honesta, eu expliquei a minha opinião sobre como a religião havia sido usada repetidamente como ferramenta de controle de massas e que numa sociedade fortemente regida pela religião como a Muçulmana o conceito do “Julgamento” era uma forma eficiente de se controlar o comportamento das pessoas. Ela parou, pensou um pouco e falou um pouco cabisbaixa:

– Puxa… Eu nunca tinha olhado por esse lado. Acho que você tem razão.

Dali se seguiu uma longa conversa sobre religião, história, e a atual situação política no Egito… É engraçado, mas aquela conversa – sentado ali no chão, no meio de uma mesquita – foi um daqueles momentos especiais que marcaram a viagem, como aquela volta do Kilimanjaro na van, junto com os 15 carregadores que nos ajudaram a subir a montanha!

Saímos da Citadelle e fomos para o Mercado Khan El Khalili Market, que vende de tudo, de chá, a antiguidade. As poucas coisas que eu me interessei, a Amina me contou que vêm da China! A conseqüência é que ela era a única a gastar dinheiro. Comprou colar, deu dinheiro para as meninas, engraxou as botas, e eu lá quieto! Ela nos comprou uns falafels e tomamos um chá ali no mercado mesmo, enquanto o pessoal do lado fumava uma Shisha.

Durante todo o tour, desde o Museu, várias pessoas chegavam na Amina ao vê-la comigo perguntando se o turismo estava de volta. Ela não sabia responder… Muito da nossa conversa foi em torno da atual situação do Egito. Praticamente não havia turismo naquele momento, e era clara a apreensão de todos, dado o impacto econômico da ausência de turismo na vida deles. A economia do Egito é fortemente baseada no turismo, e sem turistas a situação econômica estava séria! Ao sairmos do nosso almoço (já no final da tarde), uma horda de meninos vinha atrás de mim tentando vender tudo o que você pode imaginar! Cheguei a receber ofertas malucas, como trinta colares por cinco dólares! Mas não comprei nada. Se sem comprar o assédio já era absurdo, imagine se eu comprasse algo!

Dali, fui direto para o hotel. Tinha combinado de jantar com uma amiga, mas eu estava sem telefone no Cairo e acabamos nos desencontrando, então fui jantar num restaurante perto do hotel e dormi antes da meia-noite para me preparar para amanhã…

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Note: I believe that by now the readers of the blog are all portuguese speakers. If you got until here and didn’t understand a thing, let me know and I will keep translating the posts.


Para o Cairo (To Cairo)

Acordei às 8am e depois de procurar algumas passagens na internet sem sucesso, fui para o aeroporto ver se conseguia voar para Nairobi e conseguir algo mais barato por lá. 

Consegui um vôo que saía as 3pm e chegava no Cairo às 10:40pm e muito mais barato do que qualquer coisa que eu tinha visto antes. Voltei para o hotel e escrevi para o blog até 1pm. Para aqueles que estão se perguntando o que eu estava indo fazer no Egito durante aquela zona, o Mubarak – cujo primeiro nome é na verdade Mohamed (Hosni é o segundo nome) – havia renunciado exatas duas semanas antes. Eu vinha monitorando a situação de perto e fui assim que meu (novo) roteiro permitiu. Apesar do perigo (agora limitado), a história estava acontecendo no Egito naquele momento, e eu não podia deixar de ver isso. 

O vôo fez escala em Nairobi e Adis Abba (Sudão). Já no Cairo, os agentes de transporte invadem a área de desembarque do aeroporto e já chegam em você mesmo antes da imigração! Um deles me perguntou que tipo de negócios eu estava fazendo aqui. Quando eu disse que nenhum, que era turista ele ficou surpreso e disse que eu era o primeiro que ele encontrava desde 25 de janeiro, quando começou a revolução que culminou com a queda do Mubarak! 

Eu havia reservado um hotel no aeroporto. 5 estrelas por USD85… parecia um bom deal. O hotel (Pyramisa) não é ruim, mas também não é nenhuma Brastemp. Tenho para mim, que eles roubaram uma dessas 5 estrelas durante a revolução… 

A internet custava USD30/hora, então saí na rua à meia noite para procurar um internet café. Estava tudo deserto. Bem pouca gente na rua. Felizmente, achei o internet Café e mandei um e-mail para o Khaled, um guia cujo rating do Tripadvisor bate qualquer outra atraçãoem Cairo. Lembreique era sábado. Entrei no A Small World (uma espécie de Facebook para quem viaja bastante) e chequei o nome das duas balada consideradas entre as melhores de Cairo. Uma delas (chamada 35) era na rua do meu hotel. Parecia meu dia de sorte! 

Voltei para o hotel e no caminho vi o exército bloqueando a rua e revistando todos os carros. No hotel, me arrumei o mais rápido que pude e perguntei na recepção se podia ir à pé ou se era melhor ir de carro. Eles disseram que de carro, mas que a balada estaria fechada. O toque de recolher implementado no início da revolução ainda estava valendo a partir da 1 da manhã. Já era 1:30am e era proibido sair na rua! Por isso que o exército estava na rua revistando as pessoas. 

Já vi as casa serem proibidas de abrir em outros países e sei que algumas abrem escondido. Depois de tanto tempo na África sem baladas decentes, até pensei em tentar a sorte para conhecer a balada no Cairo (seria a minha única chance, já que era sábado e eu ficaria poucos dias no Cairo), mas sem nenhum bom contato na cidade, seria muito difícil saber qual balada estaria funcionando e ainda conseguir entrar uma vez lá. Acabei voltando para o quarto e dormindo frustrado. 

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I woke up at 8am and after looking for tickets on the internet without success, I went to the airport to see if I could fly to Nairobiand get something cheaper there. I found a flight to Cairothat would leave at 3pm arriving in Cairoat 10:40pm – and much cheaper than anything I had seen before. I went back to the hotel and wrote for the blog until 1pm. For those who are wondering what I was going to do in Egyptduring those times, Mubarak – whose first name is actually Mohammed (Hosni is the second name) – had resigned two weeks before. I’d been monitoring the situation closely and flew as soon as my (new) itinerary allowed me to. In spite of the (limited) danger, story was being written in Egyptduring those days, and I couldn’t miss it!

The flight made stopovers in Nairobi and Addis Abba (Sudan). Already in Cairo the transport agents invade the arrivals area of ​​the airport and approach you even before the immigration counter! One of them asked me what kind of business I was doing here. When I said that none, that was a tourist he was surprised and said I was the first tourist he met since January 25, when the revolution that culminated with Mubarak’s step down began!

I had booked a hotel at the airport. 5 stars for USD85… seemed like a good deal. The hotel (Pyramisa) was not bad, but neither it stood for its stars. They might have stolen one or two of those stars during the revolution …

The internet cost USD30/hour at the hotel so I went out on the street at midnight to find an internet cafe. It was desert. Very few people on the street. Fortunately, I found the Internet Café and sent an e-mail to Khaled, a Cairo guide which according to Tripadvisor rated better than any attraction in Cairo. I remembered it was Saturday. I went into ‘A Small World’ (a sort of Facebook for people who travel a lot) and checked the names of two clubs rating among the best in Cairo. One of them (called 35) was on the same street of my hotel. It looked like it was my lucky day!

I went back to the hotel and saw in the way the army blocking the street and searching all cars. At the hotel, I showered and got ready as fast as I could and asked at reception if I could go walking or if it was better to drive, given the safety issues they were going through. They said I’d rather go by car, but that the club would be closed. The curfew implemented at the beginning of the revolution was still on from ‘am. It was already 1:30 am and everybody should stay at home. That was the reason behind the army searching people on the street.

I’d seen clubs being prohibited from opening by the government in other countries and I know that some would open secretly. After so long in Africa without decent parties, I even thought about giving it a shot to try the Cairo party scene (it would be my only chance, since it was Saturday and I would be in Cairo only for a few days) but having no contacts in the city, would be very difficult to know which club would be open and still manage to get in once there. I ended up going back to my room for a frustrated night of sleep.


O Genocídio em Ruanda (The Genocide in Rwanda)

O dia começou como um pesadelo. Levantei às 8am e fomos para o ORTPN (órgão responsável pela liberação das permissões para subir a montanha dos gorilas) comprar a licença para ver os gorilas. Lá me informaram que não havia licenças disponíveis para o resto de fevereiro, mas que talvez houvesse uma chance em 2 de Março! A informação que aquele casal me deu em Nairobi estava errada: não existe mais baixa temporada em Ruanda! Como bom Brasileiro que sou, perguntei se não sobraria uma vaga se alguém cancelasse e convenci o maluquinho a ligar para as principais agências a procura de cancelamentos. Nada feito! Saí de lá e ainda fui até as principais agências de turismo de Ruanda, mas não teve jeito…

Resolvi tentar ver os gorilas de Uganda mesmo, mas antes disso precisava de dinheiro para pagar o hotel e o Visto (meu passaporte ainda estava preso no Aeroporto!). Mal sabia eu, mas conseguir dinheiro em Ruanda é um desafio a parte! Fomos em quatro caixas automáticos de bancos diferentes e para minha surpresa nenhum deles aceitava Visa ou Maestro, e por azar eu não tinha conta em nenhum banco Ruandense! Para melhorar o meu dia o quinto banco engoliu o meu cartão! Entrei no respectivo banco para tentar reaver o meu cartão. Após algum tempo de espera, finalmente chega uma mocinha com aquele ar de eficiência pra me dizer que eu poderia ter o meu cartão de volta no final da tarde. Vou dizer que sou um cara paciente, mas aquela notícia naquele dia, depois de tudo que eu já tinha aturado foi demais pra mim! Rodei a baiana e consegui o meu cartão de volta em 15 minutos…

Lá fomos nós para o sexto banco! Nesse, fui direto ao escritório falar com um gerente e depois de alguma conversa ele aceitou me dar dinheiro contra crédito no meu cartão de crédito. Na hora de fechar o câmbio (a uma taxa asquerosa, diga-se) o sujeito me pede o passaporte! Parecia que a novela Mexicana não teria fim! Para resumir: tirei dinheiro com a carteirinha do clube! Rsrsrs

Resolvida a questão do dinheiro, mudei meus planos e resolvi antecipar a minha volta para Uganda, e hoje visitaria só o Museu do Genocídio. Tocamos para lá… Pra quem não gosta de história, sugiro parar de ler o post por aqui e visitar o blog de uma amiga minha (historiapraquemnaogostadehistoria.blogspot.com), pois vou falar um pouco da história de Ruanda e o que foi o Genocídio. Não vejo forma melhor para transmitir o que senti na visita ao Museu do que explicar um pouco do que aconteceu. Vamos lá…

Após a primeira guerra mundial, Ruanda que era colônia Alemã se tornou por acidente colônia Belga. A Bélgica ganhou um mandato da Liga da Nações para Governar Ruanda em 1923, e acabou tornando o mandato uma ocupação colonial. Por incrível que pareça, a divisão de Ruanda, começou com a obsessão Belga de categorizar os grupos etnicamente (meus amigos Belgas não se surpreenderiam…). Os grupos foram classificados em Tutsis (que criavam gado), Hutus (que tinham lavouras), e Twas, (uns quase-pigmeus que habitavam Ruanda originariamente). Os Belgas tiveram a brilhante idéia de formalizar a categorização com a implantação de carteiras de identidade, em 1932. A forma que acharam mais fácil: quem tinha mais de 10 vacas foi classificado como Tutsi, e o restante, como Hutu, o que também se aplicava aos descendentes. Obviamente, os Tutsi eram apenas 15% da população, e se tornaram mais próximos do governo, e recebiam os respectivos privilégios.

Ao longo do tempo a segregação resultou em revolta popular. O primeiro registro de luta entre os dois grupos ocorreu em 1959, quando os Hutus mataram o Rei (Tutsi) e mais um monte de outros Tutsi. A solucao Belga? Tornaram o exército 100% Hutu para “corrigir os erros do passado”. Claro que a violência só aumentou e a revolta dos Hutus se voltou completamente contra a população Tutsi. Os Belgas, vendo que o bicho ia pegar, debandaram em 1962 e deixaram um país livre, mas dividido.

Dali pra frente, o país passou a ser governado por Hutus (num partido único – o MRND), que como primeira medida estabeleceram um sistema de quotas em todas as áreas da sociedade. Os Tutsi não podiam representar mais do que 15% em absolutamente NADA. Nessa época, as duas “etnias” já não viam mais nenhuma similaridade entre si e a divisão só aumentava.

No início da década de 90, o MRND suportou o surgimento e expansão do Interahamwe, uma milícia juvenil que pregava a supremacia Hutu, a opressão aos Tutsi, e “limpeza” étnica. Começava aí a ideologia genocida. Qualquer semelhança com o holocausto NÃO PARECE mera coincidência…

De 59 a 73, cerca de 700,000 Tutsis foram exilados de Ruanda. Como as tentativas de voltar pacificamente eram inúteis, em Outubro de 1990, um grupo (RPF) invadiu Ruanda. Dali para frente houve guerra civil e 8 diferentes massacres a Tutsis entre Outubro de 1990 e Fevereiro de 1994. O lema era: “se eliminarmos o problema, poderemos deixar de conviver com ele”. Os soldados franceses ajudavam o Governo Hutu a identificar os Tutsis…

Antes da colonização, havia miscigenação, e integração étnica. Para garantir o sucesso do massacre, o governo usava a mídia fortemente para garantir a total exclusão socioeconômica dos Tutsis. Tornou-se ato de traição ao Governo ter uma esposa, amante ou secretária Tutsi, se associar, ter negócios, investir, emprestar dinheiro, ou garantir qualquer favor aos Tutsi (incluindo aí serviços públicos, ou empréstimos bancários). Aqueles que não eram extremistas se viram obrigados a se refugiar em outros países…

Em agosto de 1993 um acordo de paz foi assinado (o Acordo de Paz de Arusha), onde os dois lados deveriam se desarmar e o exército deveria se integrar em uma força neutra. Interessante que quase ao mesmo tempo foi firmado um acordo entre o governo e uma empresa Francesa para compra de armas…

Em Abril de 1994 o Presidente estava voando com o Presidente do Burundi, quando o avião foi atacado e caiu. O atentado já havia sido previsto mais de uma vez e a matança começou menos de uma hora depois. As listas com os nomes dos alvos já haviam sido preparadas!

Todos os Tutsis e Hutus que se mostravam moderados eram procurados, exterminados e esquartejados na frente de suas famílias de todas as formas: metralhadoras, tacos, facões… Muitos procuraram abrigos em igrejas, o que só tornou o trabalho mais fácil! A matança durou 3 meses.

Ver o vídeo das pessoas cujos parentes foram mortos na sua frente descrevendo as cenas é quase tão impactante quanto os vídeos das próprias vítimas e corpos gravados na época… Também é impressionante ver o comportamento das pessoas em situações-limite como essa. Se por um lado, alguns Hutus escondiam Tutsis que não conheciam para salvá-los, havia casos como o de um padre que ordenou o ataque a sua igreja sabendo que cerca de dois mil de seus párocos estavam lá dentro, vizinhos atacando seus até então amigos, ou pais sendo forçados a matar seus filhos, para que tivessem uma morte menos sofrida. Confesso que imaginar cenas dessas a pouco mais de 15 anos atrás é algo assombroso! Tendemos a acreditar que aprendemos com os erros do passado, mas esse tipo de coisa me faz questionar se isso é realmente verdade.

Foram mais de um milhão de pessoas mortas, e mais de 2 milhões de refugiados numa população de 7 milhões. Reorganizar uma sociedade após um evento desses é uma tarefa de longuíssimo prazo. As conseqüências são diversas, além do trauma psicológico, as centenas de milhares de órfãos que ainda novinhos se viram obrigados a se tornaram chefes de família, as dezenas milhares de mulheres que contraíram AIDS nos mais de 500,000 estupros, e todos os mutilados que não conseguem restabelecer suas vidas mesmo quase duas décadas após o genocídio são feridas que Ruanda ainda carregará por um bom tempo, como no caso das vítimas do agente laranja no Vietnam. A diferença é que aqui, o estabelecimento do Tribunal Criminal Internacional para Ruanda em Arusha ajuda a julgar e punir os culpados e perpetradores do genocídio ajuda a cicatrizar as feridas, enquanto que no Vietnam, os responsáveis não podem ser sequer processados! Como se em guerras não houvesse culpa.

Fui encontrar o John, motorista que estava me acompanhando numa sala cheia de fotos de vítimas do genocídio. Ficamos ali sentados olhando as fotos, sem dizer nada. O silêncio falava por nós…

A segunda sessão do Museu falava de outros genocídios. Entre eles, a tentativa de independência da Armênia (entre 1915 e 1918). O bizarro é que naquele caso a Turquia nega até hoje que tenha havido o genocídio. Parece bobagem, mas para os que viveram aquilo é muito revoltante. Tanto quanto o Ahmadinejad negar o holocausto. Outros massagres lembrados ali foram o da Namíbia pelos Alemães, entre 1904 e 1905, o Holocausto, entre 1939 e 1945, quando 6 milhões de judeus foram mortos em todas a Europa, o do Cambodia, quando Pol Pot matou mais de 2 milhões de Cambodianos e Vietnamitas que não concordavam com o seu regime socialista, e Kosovo, nos anos 90, movido pela separação étnica da Yugoslávia. Não gosto muito de clichês, mas não dá pra deixar de dizer que na raiz todos esses eventos são conseqüência natural da intolerância.

A terceira sessão do Museu chama-se “Futuro Perdido”, e fala sobre as crianças mortas no genocídio, como eram, do que gostavam, e como cada uma foi morta. Muito triste! Saímos de lá direto para o aeroporto, e lá fui eu de volta para Kampala!

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The day began like a nightmare. I got up at 8am and went to the ORTPN (organ responsible for the release of the permits to climb the mountain of the gorillas) to buy the permit to see the gorillas. I was informed that there was no available permits for the remainder of February, but there might be a chance on March 2! The information that I was given in Nairobi was wrong: there are no more low season in Rwanda! As a good Brazilian, I asked if there wouldn’t be a vacancy in case anybody cancelled in the last minute and convinced the guy to call the major tourism agencies looking for cancellations. But no luck… I left there and still went to the main tourism agencies in Rwanda, but still had no luck…

I decided to try to see the gorillas back in Uganda, but before that I needed cash to pay the Visa (my passport was still retained at the airport). I had no idea, but getting money in Rwanda can be a real challenge! We went to four ATMs of different banks and to my surprise none of them accepted Visa nor Maestro and unfortunately I had no account in any Rwandan bank! To make it a little better the ATM swallowed my card! I went into their bank to try to regain my card. After some time waiting, a lady finally arrived with that efficiency attitude to tell me that I could get my card back in the end of the afternoon. I’m usually a patient guy, but that news, that day, after all I had endured was enough for me! All I can say is that I got my card back in 15 minutes…

We went to the sixth bank! There I went straight to the office to speak to a manager and after some conversation he agreed to give me cash using my credit card. At the time of closing the exchange (at an outrageous rate, I must say) the guy asked for my passport! It seemed that the Mexican soap opera would never end! Long story short, I took money using my Sports Club Card as ID! Lol

Having solved the cash issue, I changed my plans and decided to anticipate my return to Uganda, and would only visit the Genocide Museum in Kigali. We headed there. For those who do not like history, I suggest you stop reading the post here because I will talk a bit about the history of Rwanda and what the genocide was. I see no better way to convey what I felt during the visit to the Museum than explaining a bit of what happened there. Let’s go to it…

After the first World War, Rwanda was a German colony that by accident became a Belgian colony. Belgium won a mandate from the League of Nations to govern Rwanda in 1923 and ended up turning the mandate into a colonial occupation. Amazingly, the division of Rwanda, began with the Belgian obsession to categorize groups ethnically (my Belgian friends would not be surprised…). The groups were classified as Tutsis (who bred cattle), Hutus (who grew crops) and Twas (a nearly-pygmies who originally occupied Rwanda). The Belgians had the bright idea to formalize the categorization with the introduction of identity cards in 1932. The way they found easier: whoever had more than 10 cows were classified as Tutsi and the rest, as Hutu, which also applied to the descendants. Obviously, the Tutsi were only 15% of the population, and became naturally closer to the government, receiving their privileges.

Over time the segregation resulted in popular revolt. The first record of fighting between the two groups occurred in 1959 when the Hutus killed the King (Tutsi) and a bunch of other Tutsis. The Belgian solution? They made the army 100% Hutu to “correct the mistakes of the past.” Of course, the violence has only increased and the revolt of the Hutus turned completely against the Tutsi population. The Belgians, seeing the size of the issue, disbanded in 1962 and left a free, but divided country.

From then on, the country was ruled by Hutus (in a single party system – the MRND), which as a first step established a quota system in all areas of society. The Tutsi could not represent more than 15% in ANYTHING. At that time, the two “ethnic groups” wouldn’t recognize any more similarities between them and the division only grew.

In the early 90s, the MRND supported the emergence and expansion of the Interahamwe, a youth militia that preached the Hutu supremacy, the oppression of the Tutsi, and ethnic “cleansing”. There began the genocidal ideology. Any resemblance to the Holocaust DOES NOT SEEM a coincidence…

From 1959 to 1973, about 700,000 Tutsis were exiled from Rwanda. As the attempts to return peacefully were useless, in October 1990, a group (RPF) invaded Rwanda. From then on there was civil war and eight different massacres to Tutsis between October 1990 and February 1994. The motto was: “if we eliminate the problem, we don’t have to live with it.” The French soldiers helped the Hutu Government to identify the Tutsis…

Before colonization, there was miscegenation and ethnic integration. To ensure the success of the massacre, the government heavily used the media to ensure full socio-economic exclusion of the Tutsis. It became an act of treason to the Government to have a Tutsi wife, mistress or assistant, or to join, do business, invest, lend money or guarantee any benefit to the Tutsi (including public services, or bank loans).Those who were not extremists were forced to seek refuge in other countries…

In August 1993 a peace agreement was signed (the Arusha Peace Agreement), where the two sides should disarm and the army should be integrated into a neutral force. Interestingly, at almost the same time an agreement was signed between the government and a French company to buy weapons…

In April 1994 the President was flying with the President of Burundi, when the plane was attacked and fell. The attack had been predicted more than once and the killing began less than an hour later. The lists with the names of the targets had already been prepared.

All the Tutsis and Hutus who were moderate were sought, killed and shred in front of their families in every way: guns, clubs, machetes… Many sought shelter in churches, which only made the job easier! The slaughter lasted three months.

Viewing the video of people whose relatives were killed in front of describing the scenes is almost as impressive as the videos of the victims and dead bodies… It is also impressive to see people’s behavior in extreme situations like this. If some Hutus were hiding Tutsis who they did not know just to save them, on the other hand there were cases like that of a priest who ordered the attack on his church knowing that about two thousand of his parishioners were inside, neighbors attacking each other or even parents being forced to kill their children, so that they would have a less painful death. I confess that imagining those scenes a little more than 15 years ago is terrifying! We tend to believe we learn from our past mistakes, but that kind of thing makes me wonder if this is really true.

There were more than a million people dead and more than 2 million refugees in a population of 7 million. Rearranging a society after such an event is a task for a very long term. The consequences vary; besides the psychological trauma, hundreds of thousands of orphans who still at young ages were forced to become heads of families, dozens of thousands of women who contracted AIDS in more than 500,000 rapes, and all amputees who can not reestablish their lives even almost two decades after the Rwandan genocide are some of the wounds that will take a long time to heal, just like the consequences suffered by the victims of Agent Orange in Vietnam. The difference is that here the establishment of the International Criminal Tribunal for Rwanda in Arusha to help prosecute and punish the responsible and perpetrators of genocide helps healing its wounds, while in Vietnam, those responsible may not even be prosecuted! As if wars were fatalities.

I went to meet John, a driver who was following me in a room full of pictures of genocide victims. We sat there looking at the pictures, saying nothing. The silence spoke for us.

The second session of the Museum was dedicated to other genocides. Among them, the attempt of Armenian independence (between 1915 and 1918). The twist is that in this case Turkey still denies that there has been a genocide. It may sound silly, but for those who lived that, it is quite revolting. As much as it is Ahmadinejad’s denial of the Holocaust. Other massacres remembered there were in Namibia by the Germans between 1904 and 1905, the Holocaust between 1939 and 1945, when 6 million Jews were killed all over Europe, from Cambodia when Pol Pot killed over 2 million Cambodians and Vietnamese who disagreed with its socialist system, and Kosovo, during the nineties, driven by the ethnic partition of Yugoslavia. I don’t like clichés, but it is impossible to ignore that at the root all these events are the natural consequences of intolerance.

The third session of the Museum is called “Lost Future” and is dedicated to the children killed in the genocide, how they were, what they liked, and how each one was killed. Very sad… We left straight to the airport, and there I went back to Kampala.


Rafting no Nilo e treta em Ruanda (Rafting the Nile and struggle in Rwanda)

Quando acordei, por volta das 7:30am, as barracas já não estavam mais lá, e a molecada já tinha ido embora. Fiquei esperando o bar abrir para tomar café da manhã enquanto assistia às conseqüências do terremoto no Japão. O esquema tava meio confuso, e apesar de o Rafting só começar às 10am, foi meio correria.

 Para os que estão perguntando, sim o Nilo é o mesmo do Egito. Ele nasce aqui em Uganda, cruza o Sudão, e depois chega ao Egito.

 Claramente o negócio aqui é bem menos organizado que no Zambezi, com comunicação ruim e informações desencontradas, mas isso foi só até começar o Rafting. O Rio é sensacional e vale a pena! Eu cheguei querendo fazer o “Extreme Rafting”, uma opção num bote bem menor, e indo sempre na linha mais agressiva do rio, mas não havia gente suficiente que topava a brincadeira, então tive que ir na opção padrão mesmo.

O curso do rio é bem diferente do que eu tinha vistoem Victoria Falls.Naverdade Victoria Falls que é diferente da maioria dos rios, com uma seqüência quase que constante de corredeiras por um longo período. Aqui, como na maioria dos rios, as corredeiras são mais espalhadas, fazendo com que haja muito tempo de remada e descanso para tomar sol no bote entre as corredeiras.

O nosso guia é o Camo, um Neo Zelandês figuraça! Como tínhamos bastante tempo ocioso entre as cprredeiras, ia contando histórias, muitas delas divertidíssimas, como uma em que ele levou um grupo de “gordinhos”. To falando gordinhos para ser simpático, pois uma das mulheres precisou que ele amarrasse dois coletes salva-vidas para poder entrar no bote! Em uma das quedas a mulher caiu do barco, e não tinha cristo que conseguisse colocá-la de volta. O Camo se apoiou na beirada do bote, pegou a mulher e se jogou pra trás com a força que tinha! Tirou a mulher da água, mas ela acabou caindo de cima dele! Ele tentava sair, e não conseguia! Pedia para a mulher virar e ela dizia que não conseguia (tem umas “bananas” no bote que acabaram deixando os dois entalados!). Ele repetindo a cena e gritando “SOCORRO!!!” era de chorar de rir!

O grupo que estava comigo, infelizmente não era exatamente muito aventureiro… OK, eles estavam fazendo um rafting num rio com várias quedas de nível 5 (para quem não sabe, nível 6 já é catarata), mas digamos que tinha uma boa diferença entre as nossas noções de “adrenalina”. Éramos 8 no total: além de mim, havia quatro Canadenses que estavam fazendo trabalho voluntário em Uganda durante as férias (voluntourism), e um casal e mais uma menina que estavam trabalhando nas eleições de Uganda (que havia ocorrido no final de semana anterior), eles eram da Suécia, Letônia, e Chipre.

Como eu disse, o pessoal não era tão corajoso, e isso obrigava o Camo a pegar o curso mais tranqüilo nas quedas, ao invés de pegar linhas mais agressivas (que proporcionam bem mais emoção!). Claro que isso foi um pouco decepcionante. Quer tranqüilidade, fica na piscina! Não vem atrapalhar o meu rafting, né?? Mas tudo bem… Ainda assim, acabamos indo pra água numa das primeira corredeiras, e o Camo acabou caindo do bote em uma outra. Foi engraçado ver a cara de pânico da galera quando viram que estávamos na corredeira sem guia! Rsrsr Além disso, o Camo deu um jeito de causar alguma emoção em algumas das quedas, fazendo-nos entrar de costas, ou de olhos fechados até o último segundo!

No final das contas foi bem legal, mas acho que depois de Victoria Falls, eu estava com as expectativas muito altas… Talvez se eu tivesse ido com um grupo mais corajoso, o passeio tivesse sido mais legal, mas nunca vamos saber… No domingo daquela semana, o rio seria fechado por conta de uma represa que estava sendo construída. Ou seja, posso dizer que fui um dos últimos no mundo a fazer o Rafting naquele pedaço do Nilo! É triste, mas ao mesmo tempo torna a experiência um pouquinho mais especial!

Terminamos umas 3pm, com churrasquinho e cerveja. Fui para o aeroporto e só então fui resolver a logística de Ruanda (vôos, número de dias, hotel, transfer, gorila permit, etc…). Como achei um vôo super barato meio em cima do horário em que eu estava, peguei sem pesquisar as coisas o vôo.

Já na imigração em Ruanda, me perguntaram sobre o meu visto, que eu não tinha. A conversa que se segui foi mais ou menos assim:

– Cadê o seu visto?

– Não tenho.

– Como não tem? Não tem porque?

– Não tenho porque decidi vir para cá de última hora, e na África é comum tirar o visto na fronteira, quando se chega no país.

– Mas em Ruanda você tem que tirar antecipadamente.

– Desculpe. Eu não sabia.

– O que você veio fazer aqui?

– Turismo.

– Quando vai embora?

– Amanhã.

– Turismo por um dia?! Vai ver o quê?

– Os gorilas.

– Posso ver a sua permissão?

– Não tenho ainda.

– O quê?! Você vem ver os gorilas em Ruanda e não adquiriu a sua permissão??

– Não.

– Onde está hospedado?

– Não sei ainda.

– Como não sabe??

– Estou viajando a África assim. Quando chego, decido onde vou ficar, e até agora, não tive problema nenhum.

– Isso é um absurdo! Assim não dá pra te liberar!

Nisso vi uma propaganda de um hotel atrás do oficial da imigração, pedi um minuto a ele, liguei e fiz uma reserva ali na frente dele mesmo.

– Voltando à sua pergunta, tenho uma reserva naquele hotel ali. Tudo bem agora?

– Olha, como eu teria que te manter aqui até amanhã de qualquer forma, tudo bem. Me dê cinqüenta dólares para o visto.

– Não tenho dólares comigo.

– Como não tem dólares?! Você chega aqui sem visto, sem hotel, fala que vai vistitar  os gorilas, mas não adquiriu a permissão, e ainda por cima, não tem dinheiro?? Como é que quer entrar no país assim??

– Senhor, me diga onde há um caixa automático, eu vou, tiro dinheiro e pago o visto! Também já fiz isso em vários países aqui na África.

– O único caixa automático que estava funcionando no aeroporto quebrou ontem.

– Bom meu senhor, aí eu já não é culpa minha…

O resumo é que fiquei com o meu passaporte apreendido no aeroporto, e um oficial da imigração de Ruanda foi comigo até o hotel onde eu ficaria. Na manhã seguinte eu teria que ir pagar o visto de manhã para poder ter o meu passaporte de volta.

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When I woke up, around 7:30 am, the tents were no longer there, and the kids were already gone. I waited for them to open the bar to have breakfast while watching the consequences of the earthquake inJapan. The organization of the rafting was a little confusing, and despite the rafting starting only at 10am, it was kind of a rush.

 For those wondering, yes it is the same Nile as inEgypt. The river starts inUganda, crossesSudan, and then crossesEgypt.

Clearly the business here is far less organized than in theZambezi, with poor communication and some misinformation, but that was only until the rafting started. The river is amazing and worth it! I wanted to do the “Extreme Rafting”, an option on a much smaller raft which takes a more aggressive line of the river, but there was not enough people willing to do it, so I had to go in the standard option.

The river course is quite different from what I had seen inVictoria Falls. In factVictoria Fallsis different from most rivers, with an almost constant sequence of rapids which extend for a long distance. Here, as in most rivers, falls are more scattered, resulting in a lot of paddling and resting to sunbathe on the raft between the falls.

Our guide was Camo, a very entertainingNew Zealandguy.  As we had enough down time between the rapids he kept telling stories, many of them hilarious, as one in which he led a “heavy” group. I’m saying heavy to be nice, because one of the women had to be tied to two lifejackets to be able to enter the raft! In one of the rapids a woman felt from the raft and nobody would manage to bring her back. Camo leaned on the edge of the raft, grabbed the woman and threw himself back with the weight of his body. He managed to get the woman out of the water, but she ended up falling over him! He tried to get out but could not. He asked the woman to turn around and she said she couldn’t either (there are a few “bananas” in the raft, which got them stuck there). He repeated the scene screaming “HELP!” I couldn’t stop laughing!

The group that was with me unfortunately wasn’t very adventurous … OK, they were rafting a grade 5 river (for those unaware, grade 6 is already a fall), but let’s say we had a good difference between our notions of “adrenaline”. We were eight in total, besides me, there were four Canadians who were doing volunteer work in Uganda during the holidays (“voluntourism”), and a couple and another girl who were working in the elections of Uganda (which had occurred the weekend before) they were from Sweden, Latvia and Cyprus.

Like I said, the group was not so brave and this obliged Camo to take the more relaxed lines at the rapids, instead of taking the aggressive ones (which obviously provide much more excitement). Of course this was a little frustrating. If you want peace and relaxation, stay in the pool! Don’t come spoil my rafting, huh? But okay … Still, we ended up going to the water in one of the first water rapids, and Camo was thrown out of the raft in one another. It was funny seeing the panicked faces of the crowd when they saw we were in the rapids without a guide! lol Additionally, Camo found a way to cause some excitement in some of the rapids, entering it backwards or making us enter with our eyes closed or until the last second!

In the end it was pretty cool, but I think after Victoria Falls, I had very high expectations … Maybe if I had gone with a more courageous group, the experience would have been nicer, but we’ll never know … On Sunday of that week, the river would be closed due to a dam that was being built. That is, I can say I was one of the latest in the world to raft that piece of theNile! It’s sad, but at the same time makes the experience a little bit more special!

We finished at 3pm with barbecue and beer. I went to the airport to figure out the logistics toRwanda(flights, number of days, hotel, transfers, gorilla permit, etc. …). Since I found a super cheap flight leaving very soon I ended up going without checking hotel, permit, etc…

In the immigration inRwandathe officer asked me about my visa, which I didn’t have. The conversation that followed went something like this:

– Where’s your visa?

– I do not have it.

– How come? Why don’t you have it?

– Because I decided to come here last minute and inAfricait is common to get the visa at the border when you arrive in the country.

– Not inRwanda. You have to file a request in advance.

– Sorry. I didn’t know.

– What are you doing here?

– Tourism.

– When are you leaving?

– Tomorrow.

– Tourist for a day?! What are you planning to see?

– The gorillas.

– Can I see your permit?

– I don’t have one.

– What? You come to see the gorillas inRwandaand you don’t have a permit?

– No.

– Where are you staying?

– Do not know yet.

– What do you mean, you don’t know??

– I’ve been traveling throughoutAfricathis way. When I arrive, I decide where I will stay, and so far, I had no issue.

– This is an absurd! Like this it is difficult for me to let you go.

Therein I saw an advertisement for a hotel behind the immigration officer, I asked for a minute, called them and made a reservation right in front of him.

– Back to your question, I have a reservation at the hotel there. Is that OK now?

– Look, I’d have to keep you here until tomorrow anyway, so OK. Give me fifty dollars for the visa.

– I have no dollars on me.

– How come you have no dollars?! You arrive here without a visa, no hotel, say you will see the gorillas, but have no permit, and in addition you have no money?! How do you want to enter the country like that??

– Sir, tell me where there is an ATM, I get money and paid the visa! I have also done this in many countries here inAfrica.

– The only cash machine that was working in the airport broke yesterday.

– Well sir, then it’s not my fault…

The summary is that I got my passport seized at the airport, and a Rwanda Immigration Officer followed me to the hotel where I would stay. The next morning I had to go pay the visa morning to have my passport back.


Explorando Nairobi (Exploring Nairobi)

As coisas que eu queria ver em Nairobi eram o Centro de Girafas, o Museu Karen Blixer (sobre a mulher que escreveu ‘Out of África’, que depois virou filme), e um orfanato de animais. O motorista chegou às 8am, e fomos a caminha do orfanato de animais, mas no meio do caminho descobri que os bichos ficavam em jaulas e acabei mudando o roteiro. Decidi que iria num Walk Safari, que reproduzia o habitat natural de cada espécie e ao orfanato de elefantes, além do centro de girafas. No caminho passamos por um favelão gigante! Era o Hebera Slum, segunda maior favela da África, com 1.2 milhão de pessoas. Para se ter uma idéia, é 12 vezes o tamanho da Rocinha, e 15 vezes o tamanho de Heliópolis!!

A primeira parada foi no Nairobi Walk Safari. O lugar era uma espécie de zoológico e estava completamente vazio. As áreas onde os animais ficam são grandes áreas cercadas e há lugares próprios para observação. Logo procurei a área dos guepardos, mas não achava guepardo nenhum. Andei um pouco até achá-los mais adiante. Como o lugar estava vazio, fui para uma área onde não é permitido ficar (mas é possível chegar) e fiquei a meio metro dos guepardos! Estava ali agachado quando chegou um monitor. Achei que ia levar uma bronca, mas ele perguntou: “Você quer entrar ou o quê?” Dei risada, pois achei que ele estava me sacaneando por eu estar tão perto. O cara tava falando sério! “Eu chamo o tratador e você dá um dinheiro para ele, OK?” Fiz meia dúzia de perguntas para ver se o negócio era seguro e topei. Ele queria 20 dólares. Fechei por 5!

Entrei na área dos guepardos com o tratador e fui chegando devagar no macho. Como vi que ele não tava ligando muito para mim, me agachei e comecei a acaraiciá-lo. De repente chega a fêmea mordiscando a minha mão. Obviamente me assustei e tirei a mão. O tratador disse para eu ter calma e deixar a mão que estava tudo bem. Deixei a mão abaixada e ela veio denovo. Na verdade, não estava mordiscando a minha mão, mas sim lambendo! A língua é tão áspera que parece que tem dentes (quando saí de lá minha mão e braço estavam vermelhos só das lambidas!). Fiquei cerca de 2 minutos ali e os tratadores me mandaram sair. Percebi que o que estávamos fazendo era proibido. Mais tarde fui saber que oficialmente é possível fazer visitas monitoradas dentro da área dos guepardos pela bagatela de USD500! Dei sorte que eu era o único dentro do parque naquele momento… Dali pra frente o monitor me acompanhou e foi me levando para áreas onde os visitantes não podem ir, para eu ficar próximo aos bichos. Vimos um pouco de tudo, mas o mais legal (depois dos guepardos, claro) foi ficar cara-a-cara com o rinoceronte branco. Não só pelo tamanho e imponência do bicho, mas também pela sua raridade! Eu já havia tentando vê-los em Ngorongoro, mas só a quase um quilômetro de distância, e aqui eram 3,4 metros!

De lá, fomos para o ‘David Sheldrick Wildlife Trusts Orphans Project’, um orfanato de elefantes! Só é possível visitar das 11am às 12pm, então fica completamente lotado!

O projeto busca reintegrar elefantes bebês que se perderam de suas mães, presos em pântanos, arrastados por rios nas épocas das chuvas, ou cujas mãe morreram, de causas naturais, ou por caçadores em busca de marfin (para minha surpresa, 2ª maior causa de elefantes órfãos). Os elefantinhos são encontrados com diferentes idades, abandonados, perdidos, ou machucados por leões. O mais novinho, foi encontrado com 3 dias de vida!

A primeira medida quando acham um elefantinho é tentar identificar a mãe (se esta não foi morta), mas quando isso não é possível, são levados para o orfanato, já que os elefantinhos precisam das mães para sobreviver aos primeiros anos de vida. Hoje o orfanato já abriga 17 elefantes bebês além de 2 rinocerontinhos. O objetivo do orfanato é cuidar dos elefantinhos até que possam ser reintegrados à natureza. As tentativas de reintegração dos bebês começa quando eles têm um ano de idade e pode demorar cerca de 5 anos, dependendo da aceitação das manadas.

A visitação só é permitida durante o período de amamentação, quando os elefantinhos são divididos em dois grupos. Descobri coisas fantásticas, como o fato de que os tratadores passam as noites nas cocheiras com os elefantes bebês, para fazer companhia e os cobrem com cobertores para se sentirem aconchegados e protegidos! No final, reencontrei a Kathy e o Test. Quando fui tirar uma foto, uma mulher entrou na frente e abraçou o elefante. O bicho meteu metade do braço dela pra dentro da boca! Saiu de lá cheia de lama! Hehehe

Na saída, vi o Maxwell, um rinoceronte de 5 anos que foi encontrado cego, ainda novinho. Como não podia sobreviver sozinho, foi levado para o orfanato.

Do orfanato fui para o Carnivore, o restaurante mais famoso de Nairobi. Todos dizem que no Carnivore vende-se “Game Meat” (carne de animais selvagens), mas não é verdade. Desde 2004, o governo do Quênia proibiu a venda de carne de animais selvagens. O que sobra são algumas carnes exóticos para estrangeiros, como camelo, avestruz, e crocodilo. Por USD40 o Carnivore implementa o modelo de churrascaria Brasileira, com as carnes servidas no espeto. A principal diferença é que ao invés da plaqueta verde/vermelha para indicar o final, há uma bandeirinha que você derruba quando não agüentar mais. Também há molhos acompanhando cada carne. As carnes que passaram por mim foram: fígado de galinha (passei), lingüiça de porco, costela de porco, testículo de boi, almôndega de avestruz, camelo, paleta e lingüiça de cordeiro, peru, crocodilo, e carne de boi (não sei que corte, mas era disparado, a melhor).

Falei para o Alex (motorista) que fiquei decepcionado com o restaurante, que as churrascarias no Brasil são melhores. Ele não gostou muito e disse que o Carnivore foi eleito o 50o melhor restaurante do mundo (mas não soube dizer eleito por quem…).

No caminho para o Giraffe Center vimos um cemitério muçulmano. O Alex explicou que muçulmanos não constroem túmulos para seus mortos. Ao invés disso, plantam uma árvore onde os enterraram.

O Centro de Girafas também foi outra experiência muito legal! As girafas que eu havia encontrado até agora eram muito ariscas, então é bem difícil chegar perto, e aqui era possível alimentá-las! Descobri que há três tipos de girafas, todas da mesma espécie: as Rothschild, as Maasai, e as Reticuladas (as duas últimas, em perigo de extinção). Passei a maior parte do meu tempo com duas girafas: a Alyne, de 15 anoss, e o Patrick, de 2 anos. Devo confessar que rolou um clima e a Alyne acabou me dando uns beijos! Rsrsrs

De lá, fui para o Karen Blixen Museum, que é uma casa da mulher que escreveu ‘Out of Africa’ e cuja vida foi contada no filme. OK, mas como não li o livro nem vi o filme, o lugar não me disse muita coisa. O resumo é que uma Dinamarquesa (Karen) casou com um Barão Sueco (Bror von Blixen-Finecke) e foram para o Quênia na década de 1910. Lá, deu umas puladas de cerca com um Inglês (David Finch), chutou o Barão e juntou os trapos com o Inglês, que acabou morrendo num acidente de avião. Investiu uma grana no plantio de café, mas deu com os burros n’água e voltou para a Dinamarca nos anos 30, após 17 anos no Quênia. Escreveu vários livros, mas o Out of Africa ficou famoso e o filme foi estrelado por Merril Strip e Robert Redford. Por isso o museu ficou tão famoso.

O museu é a casa em que ela morou durante 14 anos no Quênia. Tem um jardim bonito, alguns móveis originais, réplicas, e peças utilizadas no filme, como a sala de jantar, mas that’s it!

Depois da confusão habitual dos aeroportos Africanos, finalmente peguei meu vôo e fui para Entebbe, em Uganda, mas antes consegui ligar para a Adrift, que organiza o Rafting no Nilo e consegui que um cara me esperasse no aeroporto para me levar para Jinja, na base do Nilo, pois chegaria às 9:30pm e seria complicado me organizar nesse horário. Já acertei que por USD50, ficaria no próprio hotel onde começa o Rafting. Isso me salvaria um tempão amanhã! 

O lugar era na verdade um acampamento, com várias barracas, aquelas tendas fixas iguais às de Chobe, e dois chalés de madeira, onde fiquei. Quando cheguei estava rolando uma balada até animadinha no bar do lugar com uma molecada dos EUA, Inglaterra, Nova Zelândia, etc. Deixei minha mala no quarto, fui para o bar e pedi uma cerveja, mas na sequência desligaram o som, então fui dormir. Já eram cerca de 1 da manhã!

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The things I wanted to see in Nairobi were the Giraffe Centre, the Karen Blixer Museum (about the woman who wrote ‘Out of Africa’, which later became a movie), and an animal orphanage. The driver arrived at 8am and went to the animal orphanage, but halfway through I discovered that the animals were in cages and I changed my plans. I decided for a Safari Walk, which reproduced the natural habitat of each species and the elephant orphanage, in addition to the Giraffe Center. On the way we passed by a giant slum! It was the Hebera Slum, the second largest in Africa, with 1.2 million people. To give you an idea of its size, it is 12 times bigger than Rocinha, the largest Brazilian slum!
 
The first stop was at the Nairobi Safari Walk. The place was a kind of a zoo and was completely empty. The animals stay in large fenced areas and there are specific places for observation. I quickly found the area reserved for the cheetahs, but could not find any cheetah. I walked a bit to find them later. As the park was empty, I went to an area where visitors are not allowed and I was two feet of the cheetahs! I was crouching when a monitor arrived. I thought he would take an earful, but he asked: “You want to go inside or what?” I laughed because I thought he was joking since I was so close. The guy was serious! “I’ll call the attendant and you give him some money, OK?” I made half a dozen questions to see if it was safe and agreed. He wanted $20. I closed by $5!
 
I entered the cheetahs area with the attendant and slowly approached the male. As I saw he was not caring much about me, I crouched down and started caressing it. Suddenly I felt the female nibbling my hand. Obviously I was scared and took the hand. The attendant told me to be calm and leave my hand that it was okay. I left my hand down and she came again. In fact, it was not nibbling my hand, but licking it! The tongue is so rough that it feels like it has teeth (when I left, my hand and arm were red due to licking!). I was about 2 minutes there and the attendants told me to leave. I realized that what we were doing was prohibited. Later I heard that it is possible to do official monitored visits within the area of ​​the Cheetahs for the paltry sum of USD500! I was lucky that I was the only one inside the park at that time… From then on the monitor followed me and led me into areas where visitors can not go so that I could be close to the animals. We saw a little bit of everything, but the coolest (after cheetahs, of course) was being face to face with the white rhino. Not only by the size and grandeur of the animal but also for its rarity! I had been trying to see them in Ngorongoro, but could only do it from half a mile away, and here were 3, 4 yards!
 
From there I went to the ‘David Sheldrick Wildlife Trusts Orphans Project’, an elephant orphanage! It is only open for visitation from 11am to 12pm, so it gets quite crowded!
 
The project seeks to reintroduce to the wild baby elephants who lost their mothers, trapped in swamps, swept away by rivers in the rainy season, or whose mother died of natural causes, or by hunters in search of ivory (to my surprise, the 2nd major cause of orphaned elephants). The elephants are found at different ages, abandoned, lost, or injured by lions. The youngest one was found when he was three days old!
 
The first step when they find an elephant is trying to identify the mother (if it was not killed), but when it is not possible the baby elephants are brought to the orphanage, since the elephants need their mothers to survive the first years of life. Today the orphanage houses 17 baby elephants besides two baby rhinos. The aim of orphanage is caring for elephants until they can be reintegrated into nature. Attempts to reintegrate the babies begin when they are one year old  and can take about five years, depending on the acceptance of the herds.
 
Visitation is only allowed during the nursing period, when the elephants are divided into two groups. I learn fantastic things, like the fact that the keepers spend the nights in the stables with baby elephants, to provide companionship and cover them with blankets sot that they feel cozy and safe! In the end, I met Kathy and the Test. When I was taking a picture a woman came forward and embraced the elephant. The animal put half of her arm inside of its mouth! It came out full of mud! Hehehe
 
Upon leaving, I saw Maxwell, a five year-old blind rhino found when it was still young. Since it could not survive by itself it was taken to the orphanage.
 
From the orphanage I went to Carnivore, the most famous restaurant in Nairobi. Everyone says that “Game Meat” is sold in Carnivore, but it is not true. Since 2004, Kenya’s government banned the sale of game meat. What remains are some exotic meats for foreigners such as camel, ostrich and crocodile. For USD40 Carnivore implements the Brazilian steakhouse model with meat served on a skewer. The main difference is that instead of “green/red” sign to indicate the end there is a flag that drops when you ‘quit’ eating. There are also sauces accompanying each meat. The meat that was offered to me was: chicken liver (I passed), pork sausage, pork ribs, beef testicles, ostrich meatballs, camel, lamb legs and sausage, turkey, crocodile, and beef (do not know which cut, but it was by far the best one).
 
I told Alex (the driver) that I was disappointed with the restaurant, and explained that steak houses in Brazil bring it to a whole new level. He didn’t like it much and said that Carnivore was voted 50th best restaurant in the world (but could not say by whom).
 
On the way to the Giraffe Center we saw a Muslim cemetery. Alex explained that Muslims do not build tombs for their dead. Instead, they plant a tree where they buried their loved ones.
 
The Giraffe Centre was another great experience! The giraffes that I had found so far were very shy, so it’s quite difficult to come by, and here it was possible to feed them! I discovered that there are three kinds of giraffes, all from the same species: the Rothschilds, the Maasai, and the reticulated (the latter two, in danger of extinction). I spent most of my time with two giraffes, Alyne, 15 year-old, and Patrick, 2 year-old. I must admit that love was in the air and Alyne kissed me a couple times! Lol
 
From there I went to the Karen Blixen Museum, which is a house of the woman who wrote ‘Out of Africa’ and whose life was told in the eponymous film. OK, but as I haven’t read the book nor seen the movie, the place did not tell me much. The summary is that a Danish (Karen) married a Swedish Baron (Bror von Blixen-Finecke) and went to Kenya in the 1910s. There, she fooled around with an English guy (David Finch), kicked the Baron and joined the English guy, who died later on in a plane crash. She invested money in a coffee plantation, but failed miserably and returned to Denmark in 30 years, after 17 years in Kenya. He wrote several books, but Out of Africa became famous and was turn into a film starring Robert Redford and Merrill Strip. That’s why the museum was so famous.
 
The museum is the house where she lived for 14 years in Kenya. It has a beautiful garden, some original furniture, replicas, and parts used in the movie, like the dining room, but that’s it!
 
After the usual confusion of the African airports I finally got my flight and went to Entebbe (in Uganda), but before I called Adrift (the company which organizes rafting on the Nile) and to have someone waiting at the airport to take me to Jinja, the base of the Nile. I would arrive at 9:30 pm and would be cumbersome to find transportation at that time. For USD50 I would also stay at the hotel where the rafting begins. That would save me a lot of time tomorrow!
 
The place was actually a camp, with several tents, some fixed tents (like the ones in Chobe), and two wooden chalets, where I stayed. When I arrived there was a party going on with some kids from the US, UK, and New Zealand. I left my bag in the room, went to the bar and ordered a beer, but in a few minutes they turned off the sound, and I went to sleep. It was about 1 am.


Chegando em Nairobi (Arriving in Nairobi)

21.02.2011 - Zanzibar - Tanzania

Acordei às 8am e desci para ver as passagens. O café da manhã só era servido até as 9am, então achei melhor tomar café e voltar para reservar as passagens mais tarde. O novo hotel era super charmoso e tinha um terraço com uma vista linda de Zanzibar. Tomar café naquele terraço, com aquela vista já fez valer a pena ficar mais um dia em Zanzibar! Do final do café para frente foi correria como sempre que tenho vôo… A Lei de Murphy imperou mais uma vez e tudo que podia dar errado, deu! O cartão de crédito não funcionava para reservar a passagem; quando fui tirar dinheiro não havia dinheiro no caixa automático e para melhorar, o taxista atrasou! Tudo bem… Consegui reservar um vôo para Nairobi, mas já não tinha mais conexão disponível para Entebbe (Uganda). Resolvi que vou passar um dia lá e ver algumas coisas bacanas que não conheço… Cheguei às 11:30am no aeroporto, a tempo para o vôo, mas tava aquela confusão de sempre da África: vôo atrasado, nego mandando eu invadir a área interna do checking para levar a minha mala… Em fim: deu tudo certo! Já no aeroporto de Nairobi, fugi de umas agências de turismo, mas não sem antes pegar o nome e endereço de alguns hotéis baratinhos. Nairobi é uma cidade grande (4.5 milhões de habitantes). Apesar de o aeroporto já ter mais cara de aeroporto, a cidade em si (com um crescimento desorganizado) é completamente caótica! É como se a cidade inteira fosse um grande Largo Treze! Uma multidão andando pelas ruas, e um trânsito caótico! No caminho para os hotéis o motorista me convenceu de que o lugar onde eu queria ir não era muito seguro (confesso que não precisou de muito esforço). Acabei indo para um Meridian. O hotel era bem sem vergonha! O quarto era um pequeno apartamento, mas com um aspecto não muito limpo e um banheirinho horroroso! No hotel conheci a Kathy e o Test. Eles são de Ruanda, e me convenceram a ver os gorilas de lá ao invés de em Uganda. Na verdade depois de falar com eles pesquisei e descobri que em Ruanda é possível fazer a Montanha mais rápido do que em Uganda, além do que a mata é menos fechada, proporcionando mais iluminação e melhores fotos do que em Uganda. Uganda por sua vez tem mais vida selvagem fora da montanha e outras atividades. Como eu estava com o tempo apertado, Ruanda era uma alternativa melhor. Programei as atividades que eu queria fazer e contratei um cara para passar o dia comigo e me levar a todos os lugares no dia seguinte. Escrevi um pouco e resolvi usar o resto do dia para dar uma volta em Nairobi. Perguntei na recepção sobre lugares para visitar, e o indivíduo não conseguiu me sugerir um sequer! Saí andando sem rumo, mas a única coisa que eu via era pobreza! Andei quarteirões e quarteirões e não vi nada que fosse um pouco mais bonito, o que não parecesse cortiço… De repente achei um Sheraton. Entrei e fui direto no concierge, como se estivesse hospedado lá. Pedi recomendações de lugares para visitar, mas todos os lugares que ela sugeriria já estavam fechado àquela hora! Perguntei sobre restaurantes bons para salvar a noite, mas como o único que ela se entusiasmou na recomendação era onde eu almoçaria no dia seguinte, achei melhor jantar no hotel mesmo. Acho Nairobi vai entrar para a lista das cidades que eu detesto…

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I woke up at 8am and went downstairs to look for flight tickets. The breakfast was only served until 9am, so I thought I better have breakfast and go back to book the tickets later. The new hotel was super charming and had a terrace with lovely views of Zanzibar. Having breakfast at the terrace with that view already made worthwhile staying another day in Zanzibar! After breakfast it was the usual rush just like every time I fly… Murphy’s Law prevailed once again and everything that could go wrong went wrong! My credit card was not working to book the ticket, when I tried to cash out money there was no money in the ATM machine and to make it better the taxi driver was late! Okay … I managed to book a flight to Nairobi, but there was no more available connection to Entebbe (Uganda). I decided that I will spend a day there and see some cool things I do not know … I arrived at 11:30 am at the airport in time for the flight, but the airport was the usual African mess: the flight was late, people telling me to invade the internal check-in area to carry my bag, etc… But in the end, everything went well! In the Nairobi airport, I ran away from some travel agencies, but not before getting the names and addresses of some cheap hotels. Nairobi is a big city (4.5 million). Although the airport, which differently from the other airports I’ve been seeing actually looks like an airport, the city itself (with a disorganized growth) is completely chaotic! It feels like if the whole city was a big street market! A huge crowd walking on the streets and chaotic traffic in between! On the way to the hotel the driver convinced me that the place I wanted to go was not very safe (I confess that it took him much effort). I ended up in a Meridian. The hotel was crap! The room was actually a flat, but with a not very clean an aspect. At the hotel I met Kathy and the Test. They are from Rwanda, and convinced me to go see the gorillas in there rather than in Uganda. In fact after speaking with them I googled it and found that in Rwanda it is possible to climb the mountain faster than in Uganda. In addition, the forest is less dense, allowing more lighting and thus better pictures than in Uganda. Uganda in turn has more wildlife off the mountain and other activities. As I was in a tight schedule, Rwanda was a better alternative. I programmed activities that I wanted to do and hired a guy to spend the day with me and take me everywhere the next day. I wrote a little bit and decided to use the rest of the day for a walk in Nairobi. I asked at the reception desk about places to visit in Naoirobi and there wasn’t one single place the guy could suggest me! I walked aimlessly, but the only thing I saw was poverty! I walked blocks and blocks away and saw nothing even a little better, which wouldn’t look like a beehive… All of a sudden I found a Sheraton. I didn’t think twice: I wakled in and went towards the concierge as if I was staying there. I asked for recomendation of places to visit, but all the places she would suggest were already closed at that time. Then I asked about suggestion of nice restaurants to try to save the image of Nairobi, but again, the only one she was enthusiastic about was the place I was going to have luch the following day! I quit a decided to have dinner at the hotel. I regret to say that I have the impression that Nairobi will join the list of cities that I hate…


Nadando com os golfinhos (Swimming with dolphins)

O telefone tocou às 5:00am! Era a Monica da agência de turismo dizendo que o tempo melhorou e se eu quisesse dava para ir nadar com os golfinhos. Sorte que não saí ontem, se não, certamente não teria ouvido o telefone! Combinei com ela às 7am, dormi mais um pouco e fui para o café da manhã.
 
No portão do hotel estava o Amir me esperando, já gargalhando. Não sei se ele tem algum problema mas você fica com aquela sensação de que ta com uma catota pendurada, porque o cara não pára de rir!
 
O Amir me apresentou o motorista que ia passar o dia comigo. O cara se apresentou:
– Meu nome é Kamis, mas pode me chamar de Mauro. – cada maluco que eu encontro…
– OK. Meu nome é Alexandre, e pode me chamar de Alexandre mesmo!
 
A saída para o passeio com os golfinhos é no extremo sul da ilha, então tive que cruzá-la de ponta a ponta! Uma hora e meia depois chegamos, e fui apresentado ao Tisto, o “capitão da embarcação”. Quando vi o sujeito, já deu pra ter uma idéia da encrenca que vinha pela frente. O “capitão” era um sujeito magrelinho, mirradinho, com um boné jamaicano de crochê e cara de que tinha acabado de fumar um beque!
 
O barquinho era outra canoinha zoada com motor de popa. O caminho era longo e pelo que deu para perceber, não tínhamos um destino certo. Estávamos na verdade a procura dos golfinhos, sem saber onde estavam. A certa altura, cansei e fui deitar na frente no barquinho. De vez em quando pegávamos uma onda mais alta e além da porrada na cabeça, eu levava um banho e acordava , vendo a gargalhada do Tisto e do outro maluquinho que estava com a gente no barco. Durante todo o caminho, o Tisto ia ligando para os amigos, perguntando se alguém tinha visto golfinho em algum lugar. Umas 10:30am, sinto uma porrada na cabeça. Era outro barco!
 
Aos poucos mais barcos foram aparecendo e quando vi, eram13 barcos! Uns 10 minutos depois achamos os primeiros golfinhos. Os golfinhos estavam ariscos, e assim que aparecia um golfinho, todos os barcos aceleravam em direção ao local e a galera dos barcos que estavam na frente pulava na água assim que se aproximavam dos golfinhos. Ou seja, os golfinhos que já estavam ariscos fugiam na hora, se falara do mega perigo que era aquilo! Os barcos que vinha atrás não paravam e num dado momento a hélice de um barco quase pegou um dos turistas! Claro que além do perigo era impossível conseguir realmente nadar com os golfinhos naquela muvuca.
 
Ficamos por ali por cerca de meia hora até que os barcos começaram a ir em direção à costa (inclusive o meu). O Tisto virou pra mim e perguntou:
– E aí? O que você achou?
– Achei que não nadei com os golfinhos! Porque não voltamos e tentamos mais?
 
Ele ficou visivelmente contrariado, mas mandou o piloto voltar. Ainda tinham dois barcos por lá, mas achei que com menos barcos cercando os golfinhos, talvez eles ficassem mais dóceis. E foi o que aconteceu! Vimos um grupo de golfinhos e na segunda tentativa consegui ficar uns 30 segundos nadando com um deles! Foi super rápido, mas compensou um pouco aquele perrengue que já durava umas 3 horas!
 
Os dois não viram o golfinho com o qual nadei, e claro que reclamei e consegui um desconto substancial. A experiência de nadar com o golfinho foi bacana, mas sinceramente, não recomendo. Muito perrengue, 3 horas na água, para nadar com um golfinho por 30 segundos! Não se compara à experiência de quando invadi um tanque privado de golfinhos num final de tarde em Cancún…
 
Terminado o passeio, fomos para a Floresta Jozani. A visita à floresta é monitorada e se dá numa área restrita da floresta. É bacana para conhecer o Red Colobus, um macaquinho que habita a região. O macaquinho é uma graça e como está habituado à presença do homem, é bastante dócil. Além do Red colobus, vi alguns Macacos Azuis, e o Eiders Deaker Dik-Dik. Um primo do Dik-Dik do Serengeti, mas ainda menor! 
 
Voltei para o hotel, comecei a programar a minha ida para Uganda e resolvi ir jantar em Stone Town. De lá até procurei uns barzinhos animados, mas sem muita sorte. Melhor assim… Amanhã o dia seria longo e seria melhor acordar cedo.
 
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The phone rang at 5:00 am! It was Monica from the tourism agency saying that the weather had improved and if I still wanted it would be possible to go swimming with the dolphins. I was happy I didn’t party yesterday. Otherwise, I certainly wouldn’t have heard the phone! I set with her for 7am and went back to sleep a little longer.

At 7am Amir was waiting for me at the gate of the hotel already laughing. I wonder if he has any problem but at the end you get that feeling that there is something wrong with you, because the guy wouldn’t stop laughing!

Amir introduced me to the driver that he would spend the day with me. The man introduced himself:
– My name is Kamis, but you can call me Mauro. – Some weird people…
– OK. My name is Alex and you can call me Alex.

The place for swimming with the dolphins is in the extreme south of the island, so we had to cross it from end to end! An hour and a half later we arrived and I was introduced to Tisto, the “captain of the vessel”. Just by looking at the guy I could already have an idea of ​​the trouble that was to come. The “captain” was a skinny guy, wearing a Jamaican crochet cap and he looked like he had just been smoked a joint!

The boat was another crappy little canoe with outboard. It was a long way and from what I could see we didn’t have a clear direction. We were actually looking for the dolphins but we didn’t really know where they were. At one point I got tired and lied down in front of the boat. Occasionally we hit a bigger wave that would hit my have and give me a shower for the delight of Tisto and his friend who was with us in the boat. Tisto was calling his friends all the time asking if anyone had seen dolphins. At 10:30am I feel a punch to the head. It was another boat!

Gradually more boats arrived and when I saw, there were 13 boats! Some 10 minutes later we found the first dolphins. The dolphins were skittish and as soon as we saw a dolphin all boats sped towards them and the people in the boats ahead would jump in the water as soon as they approached the dolphins. If the dolphins were already skittish, the behavior of the pilots in the boats was not helping making them docile. Not to mention the huge danger of people jumping in the water while the boats behind were still speeding! At some point the propeller of a boat almost hit one of the tourists! Obviously, in addition to the danger it was not really possible to actually swim with the dolphins in that massive crowd.

We stayed there for about half an hour until the boats began to move toward the coast (including mine). Tisto asked:
– So… What do you think?
– I think I didn’t swim with dolphins! Why don’t we go back and try a little longer??

He was visibly upset, but ordered the pilot to return. Two boats were still there, but I thought that with fewer boats rounding the dolphins, perhaps they would be more docile. And that’s exactly what happened! We saw a group of dolphins on the second attempt and I managed to actually swim with one of them for about 30 seconds! It was quick, but offset somewhat the struggle of those 3 hours!

The two did not see the dolphin which I swam with and of course I complained and got a substantial discount. The experience of swimming with the dolphin was nice, but frankly I do not recommend it. Too much struggle and 3 hours in the water to swim with a dolphin for 30 seconds! It doesn’t compare to the experience I had when invaded a private dolphin tank in a late afternoon in Cancun…

After the tour, we went to Jozani Forest. The visit to the forest is monitored and takes place in a restricted area of ​​the forest. It’s nice to see the Red Colobus monkey that inhabits a region. The monkey is cute and since they are used to men, they are quite docile. Besides the Red Colobus, I saw some Blue Monkeys and a Eiders Deak Dik-Dik, a cousin of Serengeti’s Dik-Dik, but even smaller!

I went back to the hotel, began planning my trip to Uganda and decided to go for dinner in Stone Town. From there I tried to find a lively bar, but failed miserably! Better so… Tomorrow would be a long day and I’d better wake up early.


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