Arquivo da categoria: Uncategorized

28/02 – A Bactéria

Companheiro que é companheiro está junto nas horas boas e nas horas difíceis, então nada mais justo que dividir com vocês o sofrimento desse dia!

Eu não estava me sentindo muito bem desde ontem, mas hoje acordei com aquela necessidade enorme de ir ao banheiro! Para minha alegria, não havia papel no banheiro. Fui até a recepção já passando mal e pedi papel. A resposta:
– “Desculpe senhor, mas não temos.”
– “O quê?! Amigo, você não tá entendendo… Eu preciso de papel, agora!”
– “Lamento, senhor. O senhor pode comprar no centro…”

Saí à procura de papel, e tive a desagradável surpresa de que além de as lojas fecharem muito mais tarde em Sharm El-Sheikh, elas também abrem bem mais tarde! Fui encontrar amparo na mesma lojinha que me vendera o adaptador ontem!

Voltei para o albergue suando frio, mas aliviado e na seqüência já fui direto para o hotel novo! Mais uma vez, fui do inferno ao paraíso! O hotel (Shores Amphoras) era super bacana, 5 estrelas com direito até a carrinho de golf para me levar para o quarto! Tudo isso, pela bagatela de USD45 por noite! Eu não tava nem acreditando! Tinha alguma coisa errada naquilo…

O minha incontrolável atração pelo banheiro continuava, e obviamente isso não me deixaria mergulhar tão cedo – se você não sabe, mergulhar com esse tipo de probleminha “dá merda”, se é que você me entende – então aproveitei para ir procurar um SimCard para o telefone.

O resto do meu dia foi mais ou menos o seguinte: praia, banheiro, computador, banheiro, lobby, banheiro, … Até que tive a brilhante idéia de ir na farmácia do hotel (sorte que tinha farmácia dentro do hotel, porque o meu raio de alcance não era maior que isso…). O cara explicou que eu tinha contraído uma bactéria e me deu logo um remédio pra bactéria e um antibiótico pra garantir.

No final da tarde melhorei um pouco e fui procurar alguma atividade pra fazer. Descobri que Sharm El-Sheikh tem um Kartódromo considerado o quarto melhor do mundo! Claro que fui conferir, né?

Eles tinham karts de 6.5hp, 9hp, e 22hp (Kart de competição). Quando cheguei teria uma bateria de 6.5hp e correriam comigo mais dois (pai e filho). Tentei negociar um desconto para dirigir o Kart de competição (USD185/15minutos!!!), mas nada feito. Além disso, como não tenho licença de competição, eles teriam que me avaliar na pista para ver se poderia dirigir o 22hp.

Fui pra pista e acabei dando umas 3 voltas nos outros dois. Quando terminei o comissário veio me comprimentar: “Muito bom!” Eu tinha feito o melhor tempo da semana, e terceiro melhor do ano! Pelo visto Sharm El-Sheikh tá bem vazio mesmo! Hehehe

Eles me perguntaram se eu participaria do Grand Prix. Como eu não estava sabendo, me explicaram que haveria uma corrida no dia 11 de março (quase duas semanas depois), valendo um Kart de 32hp (um modelo novo, com marcha que vale uns USD10mil) e disseram que os comissários tinham certeza que eu ganharia. Falei que eu tinha que ir embora, e o cara: “É… Tem gente que não tem sorte mesmo! Com os seus tempos, a gente acha que o Kart era seu!”

Por um lado eu achava que ele só estava querendo encher o grid da corrida, mas por outro pensei que, do jeito que isso aqui tá vazio, talvez eu até tivesse chance mesmo…

Nisso chegou um Italiano que havia me visto na pista e me convidou para uma bateria de 9hp com ele. Eu tava com o braço dolorido da primeira bateria, mas o comissário de pista disse que o cara era profissional, que tava sempre lá, etc. Fiquei curioso para ver o nível da competição. Agora sim, consegui negociar quase metade do preço para andar no 9hp (percebi que eles queriam me ver andando com o Italiano) e topei.

Eles abriram um pedaço maior da pista só para nós dois. Fiquei na frente na tomada de tempo e após a largada consegui me manter na frente. Na segunda curva o cara rodou! Abri um pouco, mas na segunda volta foi a minha vez de rodar na mesma curva! Aquele trecho da pista parece que fica quase sempre fechado e basicamente, não tinha borracha na curva. Para melhorar, o que faltava de borracha, sobrava de areia! Imagina você vir no cacete e tentar freiar num asfalto cheio de areia! Show de horror!!! Rodei três vezes na mesma curva! Resumo: levei um pau do Italiano – apesar de ficar só a 4 décimos do tempo dele. Como ele está sempre no Kartódromo e é dos melhores daqui, acho que até tenho chances na corrida. Se der a louca, eu volto só pra correr dia 11…

Quando voltei para o hotel já era tarde. Jantei, escrevi um pouco, e capotei.


27/02 – Sakkara e as Pirâmides

Eu só tinha mais uma manhã no Cairo, então marquei com a Amina às 8:30am para irmos a Sakkara e terminarmos a manhã nas pirâmides de Giza. Antes de sair, passei no caixa automático do hotel para tirar dinheiro. O caixa automático acabou engolindo o dinheiro e confirmando a operação! Acabei perdendo quase uma hora discutindo com o pessoal do banco até conseguir uma declaração de que de fato o dinheiro havia ficado preso e que se a operação não fosse cancelada, eles me ressarciriam. Acabamos saindo bem atrasados…

Em Sakkara, apesar de estarmos atrasados fui o primeiro ticket vendido no dia! A correria atrás de mim era sufocante. Imaginem uma quantidade de ambulantes suficientes para atender a mil turistas por dia e só eu lá! Camelos, burricos, cartões postais, papiros, miniaturas de esfinges e pirâmides… em fim: o que vocês imaginarem me ofereceram. Um inferno! Mas tudo bem. No fundo, eu ficava mais penalizado por eles do que irritado.

Na primeira parada, vi um cavalinho meio-árabe que gostei e resolvi dar uma volta. Óbvio que na volta alguns ambulantes queriam que eu desse volta no camelo, no burrico, tirasse foto com o anão, e daí por diante… mas tudo bem. O importante é que tive uma prévia do que seria o passeio no deserto que eu queria fazer na Jordânia!

Os locais continuavam abordando a Amina para perguntar se o turismo havia voltado, mas o mais engraçado era a quantidade de gente que pedia para tirar foto comigo! Era pior do que no interior da China! Perguntei à Amina se aquilo era normal, e ela disse que não. Segundo ela, havia dois motivos. O primeiro era que não havia turistas no Egito na fazia algum tempo, e eu representava a esperança da volta do turismo. O segundo é que eu era parecido com um ator Egípcio muito famoso (um tal de Ahmed Ezz), e por isso todo mundo queria tirar as fotos. Não dei muita trela, mas depois de até os soldados do exército pedirem para tirar foto, fiquei curioso e fui checar a fuça do meu suposto sósia na internet. Olha… vou dizer que talvez o branco do olho seja parecido. Nada a ver mesmo! Quem me dera fosse sempre assim, né? rsrsrs De qualquer forma, vou colocar uma foto do cara aqui no post e vocês me dizem o que acham. Olha ele aí…

Ahmed Ezz - ator Egípcio e meu sósia, segundo a Amina

Passamos a manhã visitando os diferentes complexos de pirâmides de Sakkara. Entre elas, a primeira pirâmide a ser construída – pelo Rei Idot, a 4800 anos atrás! – Essa ainda era feitaem degraus. Apósuns 200 anos o Faraó Snofru, que não queria ficar para trás, construiu em Dashur a primeira pirâmide contínua, que na verdade é uma cobertura adicional de alabastro – ou se vocês preferirem, o equivalente àquele tapa de massa fina do tempo dos faraós – Para mostrar que era bom mesmo, ele não fez uma, mas duas pirâmides para si próprio!

De lá fomos para Giza ver as famosas pirâmides de Kheops, Kefern, e Mycernous. Para quem não sabe, essas são aquelas pirâmides famosíssimas que sempre aparecem nos filmes e documentários sobre o Egito, do lado da Esfinge. São famosas pela sua grandiosidade, com 146m, 137.5m, e 62m, respectivamente. A curiosidade é que nos filmes, as pirâmides parecem estar no meio do deserto, mas na verdade estão praticamente dentro da cidade.

Entrei na pirâmide de Kheops, que é a mais famosa, e apesar de ser proibido (como estava sozinho), não resisti e tirei umas fotos lá dentro. Aqueles túneis minúsculos são realmente impressionantes, além do fato de as pirâmides serem finalizadas já com grande parte do tesouro do faraó lá dentro! Falando sobre as tumbas dos Faraós, descobri que o Rei Tutankhamun, ou simplesmente “King Tut”, como eles o chamam – talvez o mais famoso Faraó da história – foi na verdade um rei praticamente irrelevante na história do Egito antigo. Na verdade começou o seu “reinado” aos 9 anos de idade e morreu aos 18. Ou seja: mandar mesmo, lhufas! A razão de tamanha fama veio depois da morte, pois a tumba do King Tut foi a única até hoje a ser achada intacta, e foi essencial para permitir-nos conhecer mais sobre o processo de sepultamento e tudo o que envolvia um túmulo de um faraó.

Bom… isso encerrava o meu breve período no Cairo, pois eu ainda queria passar alguns dias mergulhandoem Sharm El-Sheikh. Fui para o aeroporto perto da hora do almoço e acabei chegando em Sharm no final da tarde. Lá, fui direto para a Aqua Nabq, a escola de mergulho líder de recomendações no TripAdvisor,em Nabq Bay.

O meu plano era fazer um Live Aboard, onde você fica num barco durante alguns dias e faz vários mergulhos por dia. Porém, chegando lá descobri que os meus planos não funcionariam, pois não havia muitos turistas, e pagar toda a estrutura de um barco (marinheiro, instrutor, cozinheiro, etc) só para mim estava fora de questão. Já que não poderia fazer o Live Aboard, espremi o pessoal da Aqua Nabq  que me fizeram um pacote de 10 mergulhos a um preço fantástico! Pedi sugestão de um hotel barato, e disseram que me levariam ate lá. Eu precisava pegar a minha mala no táxi na frente do hotel – em Sharm, as escolas de mergulho ficam todas na praia, dentro dos Resorts, e o meu táxi estava lá na portaria com a minha mala – esperei cerca de 40 minutos na portaria, e nada de eles aparecerem! Eu sabia que a loja já havia fechado e eu ainda não tinha um número de celular local do Egito, então acabei demorando para conseguir falar com eles de volta.

Depois de um certo perrenguinho, consegui falar com o dono da Aqua Nabq, que foi atrás do cara que tinha falado comigo. Justificaram que haviam ficado me esperando, mas eu não apareci – mentira, mas tudo bem – e explicaram ao meu motorista como chegar ao hotel que haviam sugerido.

O lugar era na verdade um albergue, mas pela recepção, era o albergue mais chique que eu já havia visto! Inteirinho em mármore e granito! Fiz o check-in e fui para o meu quarto, para ter a desagradável surpresa que eu estava na verdade num moquifo de quinta! Eu não sou um cara fresco, mas o quarto era uma nojeira! O colchão fininho, até vá lá, mas o banheiro não tinha porta, que dirá box! Em fim… estava ali no meio do nada , sem internet, e seria meio difícil conseguir outro taxi, então resolvi dormir ali mesmo.

Precisei sair para comprar um adaptador de tomada e tive pelo menos uma boa surpresa: ao contrário do Cairo, em Sharm todo o comércio ficava aberto até meia noite! Consegui o meu adaptador rapidinho!

Voltando ao albergue, tive mais uma surpresa desagradável: não havia papel higiênico no banheiro! Foi um certo desespero, mas o perrengue mesmo veio no dia seguinte…


Para o Cairo (To Cairo)

Acordei às 8am e depois de procurar algumas passagens na internet sem sucesso, fui para o aeroporto ver se conseguia voar para Nairobi e conseguir algo mais barato por lá. 

Consegui um vôo que saía as 3pm e chegava no Cairo às 10:40pm e muito mais barato do que qualquer coisa que eu tinha visto antes. Voltei para o hotel e escrevi para o blog até 1pm. Para aqueles que estão se perguntando o que eu estava indo fazer no Egito durante aquela zona, o Mubarak – cujo primeiro nome é na verdade Mohamed (Hosni é o segundo nome) – havia renunciado exatas duas semanas antes. Eu vinha monitorando a situação de perto e fui assim que meu (novo) roteiro permitiu. Apesar do perigo (agora limitado), a história estava acontecendo no Egito naquele momento, e eu não podia deixar de ver isso. 

O vôo fez escala em Nairobi e Adis Abba (Sudão). Já no Cairo, os agentes de transporte invadem a área de desembarque do aeroporto e já chegam em você mesmo antes da imigração! Um deles me perguntou que tipo de negócios eu estava fazendo aqui. Quando eu disse que nenhum, que era turista ele ficou surpreso e disse que eu era o primeiro que ele encontrava desde 25 de janeiro, quando começou a revolução que culminou com a queda do Mubarak! 

Eu havia reservado um hotel no aeroporto. 5 estrelas por USD85… parecia um bom deal. O hotel (Pyramisa) não é ruim, mas também não é nenhuma Brastemp. Tenho para mim, que eles roubaram uma dessas 5 estrelas durante a revolução… 

A internet custava USD30/hora, então saí na rua à meia noite para procurar um internet café. Estava tudo deserto. Bem pouca gente na rua. Felizmente, achei o internet Café e mandei um e-mail para o Khaled, um guia cujo rating do Tripadvisor bate qualquer outra atraçãoem Cairo. Lembreique era sábado. Entrei no A Small World (uma espécie de Facebook para quem viaja bastante) e chequei o nome das duas balada consideradas entre as melhores de Cairo. Uma delas (chamada 35) era na rua do meu hotel. Parecia meu dia de sorte! 

Voltei para o hotel e no caminho vi o exército bloqueando a rua e revistando todos os carros. No hotel, me arrumei o mais rápido que pude e perguntei na recepção se podia ir à pé ou se era melhor ir de carro. Eles disseram que de carro, mas que a balada estaria fechada. O toque de recolher implementado no início da revolução ainda estava valendo a partir da 1 da manhã. Já era 1:30am e era proibido sair na rua! Por isso que o exército estava na rua revistando as pessoas. 

Já vi as casa serem proibidas de abrir em outros países e sei que algumas abrem escondido. Depois de tanto tempo na África sem baladas decentes, até pensei em tentar a sorte para conhecer a balada no Cairo (seria a minha única chance, já que era sábado e eu ficaria poucos dias no Cairo), mas sem nenhum bom contato na cidade, seria muito difícil saber qual balada estaria funcionando e ainda conseguir entrar uma vez lá. Acabei voltando para o quarto e dormindo frustrado. 

……………………………………………………………………………………………………..

I woke up at 8am and after looking for tickets on the internet without success, I went to the airport to see if I could fly to Nairobiand get something cheaper there. I found a flight to Cairothat would leave at 3pm arriving in Cairoat 10:40pm – and much cheaper than anything I had seen before. I went back to the hotel and wrote for the blog until 1pm. For those who are wondering what I was going to do in Egyptduring those times, Mubarak – whose first name is actually Mohammed (Hosni is the second name) – had resigned two weeks before. I’d been monitoring the situation closely and flew as soon as my (new) itinerary allowed me to. In spite of the (limited) danger, story was being written in Egyptduring those days, and I couldn’t miss it!

The flight made stopovers in Nairobi and Addis Abba (Sudan). Already in Cairo the transport agents invade the arrivals area of ​​the airport and approach you even before the immigration counter! One of them asked me what kind of business I was doing here. When I said that none, that was a tourist he was surprised and said I was the first tourist he met since January 25, when the revolution that culminated with Mubarak’s step down began!

I had booked a hotel at the airport. 5 stars for USD85… seemed like a good deal. The hotel (Pyramisa) was not bad, but neither it stood for its stars. They might have stolen one or two of those stars during the revolution …

The internet cost USD30/hour at the hotel so I went out on the street at midnight to find an internet cafe. It was desert. Very few people on the street. Fortunately, I found the Internet Café and sent an e-mail to Khaled, a Cairo guide which according to Tripadvisor rated better than any attraction in Cairo. I remembered it was Saturday. I went into ‘A Small World’ (a sort of Facebook for people who travel a lot) and checked the names of two clubs rating among the best in Cairo. One of them (called 35) was on the same street of my hotel. It looked like it was my lucky day!

I went back to the hotel and saw in the way the army blocking the street and searching all cars. At the hotel, I showered and got ready as fast as I could and asked at reception if I could go walking or if it was better to drive, given the safety issues they were going through. They said I’d rather go by car, but that the club would be closed. The curfew implemented at the beginning of the revolution was still on from ‘am. It was already 1:30 am and everybody should stay at home. That was the reason behind the army searching people on the street.

I’d seen clubs being prohibited from opening by the government in other countries and I know that some would open secretly. After so long in Africa without decent parties, I even thought about giving it a shot to try the Cairo party scene (it would be my only chance, since it was Saturday and I would be in Cairo only for a few days) but having no contacts in the city, would be very difficult to know which club would be open and still manage to get in once there. I ended up going back to my room for a frustrated night of sleep.


Explorando Nairobi (Exploring Nairobi)

As coisas que eu queria ver em Nairobi eram o Centro de Girafas, o Museu Karen Blixer (sobre a mulher que escreveu ‘Out of África’, que depois virou filme), e um orfanato de animais. O motorista chegou às 8am, e fomos a caminha do orfanato de animais, mas no meio do caminho descobri que os bichos ficavam em jaulas e acabei mudando o roteiro. Decidi que iria num Walk Safari, que reproduzia o habitat natural de cada espécie e ao orfanato de elefantes, além do centro de girafas. No caminho passamos por um favelão gigante! Era o Hebera Slum, segunda maior favela da África, com 1.2 milhão de pessoas. Para se ter uma idéia, é 12 vezes o tamanho da Rocinha, e 15 vezes o tamanho de Heliópolis!!

A primeira parada foi no Nairobi Walk Safari. O lugar era uma espécie de zoológico e estava completamente vazio. As áreas onde os animais ficam são grandes áreas cercadas e há lugares próprios para observação. Logo procurei a área dos guepardos, mas não achava guepardo nenhum. Andei um pouco até achá-los mais adiante. Como o lugar estava vazio, fui para uma área onde não é permitido ficar (mas é possível chegar) e fiquei a meio metro dos guepardos! Estava ali agachado quando chegou um monitor. Achei que ia levar uma bronca, mas ele perguntou: “Você quer entrar ou o quê?” Dei risada, pois achei que ele estava me sacaneando por eu estar tão perto. O cara tava falando sério! “Eu chamo o tratador e você dá um dinheiro para ele, OK?” Fiz meia dúzia de perguntas para ver se o negócio era seguro e topei. Ele queria 20 dólares. Fechei por 5!

Entrei na área dos guepardos com o tratador e fui chegando devagar no macho. Como vi que ele não tava ligando muito para mim, me agachei e comecei a acaraiciá-lo. De repente chega a fêmea mordiscando a minha mão. Obviamente me assustei e tirei a mão. O tratador disse para eu ter calma e deixar a mão que estava tudo bem. Deixei a mão abaixada e ela veio denovo. Na verdade, não estava mordiscando a minha mão, mas sim lambendo! A língua é tão áspera que parece que tem dentes (quando saí de lá minha mão e braço estavam vermelhos só das lambidas!). Fiquei cerca de 2 minutos ali e os tratadores me mandaram sair. Percebi que o que estávamos fazendo era proibido. Mais tarde fui saber que oficialmente é possível fazer visitas monitoradas dentro da área dos guepardos pela bagatela de USD500! Dei sorte que eu era o único dentro do parque naquele momento… Dali pra frente o monitor me acompanhou e foi me levando para áreas onde os visitantes não podem ir, para eu ficar próximo aos bichos. Vimos um pouco de tudo, mas o mais legal (depois dos guepardos, claro) foi ficar cara-a-cara com o rinoceronte branco. Não só pelo tamanho e imponência do bicho, mas também pela sua raridade! Eu já havia tentando vê-los em Ngorongoro, mas só a quase um quilômetro de distância, e aqui eram 3,4 metros!

De lá, fomos para o ‘David Sheldrick Wildlife Trusts Orphans Project’, um orfanato de elefantes! Só é possível visitar das 11am às 12pm, então fica completamente lotado!

O projeto busca reintegrar elefantes bebês que se perderam de suas mães, presos em pântanos, arrastados por rios nas épocas das chuvas, ou cujas mãe morreram, de causas naturais, ou por caçadores em busca de marfin (para minha surpresa, 2ª maior causa de elefantes órfãos). Os elefantinhos são encontrados com diferentes idades, abandonados, perdidos, ou machucados por leões. O mais novinho, foi encontrado com 3 dias de vida!

A primeira medida quando acham um elefantinho é tentar identificar a mãe (se esta não foi morta), mas quando isso não é possível, são levados para o orfanato, já que os elefantinhos precisam das mães para sobreviver aos primeiros anos de vida. Hoje o orfanato já abriga 17 elefantes bebês além de 2 rinocerontinhos. O objetivo do orfanato é cuidar dos elefantinhos até que possam ser reintegrados à natureza. As tentativas de reintegração dos bebês começa quando eles têm um ano de idade e pode demorar cerca de 5 anos, dependendo da aceitação das manadas.

A visitação só é permitida durante o período de amamentação, quando os elefantinhos são divididos em dois grupos. Descobri coisas fantásticas, como o fato de que os tratadores passam as noites nas cocheiras com os elefantes bebês, para fazer companhia e os cobrem com cobertores para se sentirem aconchegados e protegidos! No final, reencontrei a Kathy e o Test. Quando fui tirar uma foto, uma mulher entrou na frente e abraçou o elefante. O bicho meteu metade do braço dela pra dentro da boca! Saiu de lá cheia de lama! Hehehe

Na saída, vi o Maxwell, um rinoceronte de 5 anos que foi encontrado cego, ainda novinho. Como não podia sobreviver sozinho, foi levado para o orfanato.

Do orfanato fui para o Carnivore, o restaurante mais famoso de Nairobi. Todos dizem que no Carnivore vende-se “Game Meat” (carne de animais selvagens), mas não é verdade. Desde 2004, o governo do Quênia proibiu a venda de carne de animais selvagens. O que sobra são algumas carnes exóticos para estrangeiros, como camelo, avestruz, e crocodilo. Por USD40 o Carnivore implementa o modelo de churrascaria Brasileira, com as carnes servidas no espeto. A principal diferença é que ao invés da plaqueta verde/vermelha para indicar o final, há uma bandeirinha que você derruba quando não agüentar mais. Também há molhos acompanhando cada carne. As carnes que passaram por mim foram: fígado de galinha (passei), lingüiça de porco, costela de porco, testículo de boi, almôndega de avestruz, camelo, paleta e lingüiça de cordeiro, peru, crocodilo, e carne de boi (não sei que corte, mas era disparado, a melhor).

Falei para o Alex (motorista) que fiquei decepcionado com o restaurante, que as churrascarias no Brasil são melhores. Ele não gostou muito e disse que o Carnivore foi eleito o 50o melhor restaurante do mundo (mas não soube dizer eleito por quem…).

No caminho para o Giraffe Center vimos um cemitério muçulmano. O Alex explicou que muçulmanos não constroem túmulos para seus mortos. Ao invés disso, plantam uma árvore onde os enterraram.

O Centro de Girafas também foi outra experiência muito legal! As girafas que eu havia encontrado até agora eram muito ariscas, então é bem difícil chegar perto, e aqui era possível alimentá-las! Descobri que há três tipos de girafas, todas da mesma espécie: as Rothschild, as Maasai, e as Reticuladas (as duas últimas, em perigo de extinção). Passei a maior parte do meu tempo com duas girafas: a Alyne, de 15 anoss, e o Patrick, de 2 anos. Devo confessar que rolou um clima e a Alyne acabou me dando uns beijos! Rsrsrs

De lá, fui para o Karen Blixen Museum, que é uma casa da mulher que escreveu ‘Out of Africa’ e cuja vida foi contada no filme. OK, mas como não li o livro nem vi o filme, o lugar não me disse muita coisa. O resumo é que uma Dinamarquesa (Karen) casou com um Barão Sueco (Bror von Blixen-Finecke) e foram para o Quênia na década de 1910. Lá, deu umas puladas de cerca com um Inglês (David Finch), chutou o Barão e juntou os trapos com o Inglês, que acabou morrendo num acidente de avião. Investiu uma grana no plantio de café, mas deu com os burros n’água e voltou para a Dinamarca nos anos 30, após 17 anos no Quênia. Escreveu vários livros, mas o Out of Africa ficou famoso e o filme foi estrelado por Merril Strip e Robert Redford. Por isso o museu ficou tão famoso.

O museu é a casa em que ela morou durante 14 anos no Quênia. Tem um jardim bonito, alguns móveis originais, réplicas, e peças utilizadas no filme, como a sala de jantar, mas that’s it!

Depois da confusão habitual dos aeroportos Africanos, finalmente peguei meu vôo e fui para Entebbe, em Uganda, mas antes consegui ligar para a Adrift, que organiza o Rafting no Nilo e consegui que um cara me esperasse no aeroporto para me levar para Jinja, na base do Nilo, pois chegaria às 9:30pm e seria complicado me organizar nesse horário. Já acertei que por USD50, ficaria no próprio hotel onde começa o Rafting. Isso me salvaria um tempão amanhã! 

O lugar era na verdade um acampamento, com várias barracas, aquelas tendas fixas iguais às de Chobe, e dois chalés de madeira, onde fiquei. Quando cheguei estava rolando uma balada até animadinha no bar do lugar com uma molecada dos EUA, Inglaterra, Nova Zelândia, etc. Deixei minha mala no quarto, fui para o bar e pedi uma cerveja, mas na sequência desligaram o som, então fui dormir. Já eram cerca de 1 da manhã!

…………………………………………………………………………………………………………..

The things I wanted to see in Nairobi were the Giraffe Centre, the Karen Blixer Museum (about the woman who wrote ‘Out of Africa’, which later became a movie), and an animal orphanage. The driver arrived at 8am and went to the animal orphanage, but halfway through I discovered that the animals were in cages and I changed my plans. I decided for a Safari Walk, which reproduced the natural habitat of each species and the elephant orphanage, in addition to the Giraffe Center. On the way we passed by a giant slum! It was the Hebera Slum, the second largest in Africa, with 1.2 million people. To give you an idea of its size, it is 12 times bigger than Rocinha, the largest Brazilian slum!
 
The first stop was at the Nairobi Safari Walk. The place was a kind of a zoo and was completely empty. The animals stay in large fenced areas and there are specific places for observation. I quickly found the area reserved for the cheetahs, but could not find any cheetah. I walked a bit to find them later. As the park was empty, I went to an area where visitors are not allowed and I was two feet of the cheetahs! I was crouching when a monitor arrived. I thought he would take an earful, but he asked: “You want to go inside or what?” I laughed because I thought he was joking since I was so close. The guy was serious! “I’ll call the attendant and you give him some money, OK?” I made half a dozen questions to see if it was safe and agreed. He wanted $20. I closed by $5!
 
I entered the cheetahs area with the attendant and slowly approached the male. As I saw he was not caring much about me, I crouched down and started caressing it. Suddenly I felt the female nibbling my hand. Obviously I was scared and took the hand. The attendant told me to be calm and leave my hand that it was okay. I left my hand down and she came again. In fact, it was not nibbling my hand, but licking it! The tongue is so rough that it feels like it has teeth (when I left, my hand and arm were red due to licking!). I was about 2 minutes there and the attendants told me to leave. I realized that what we were doing was prohibited. Later I heard that it is possible to do official monitored visits within the area of ​​the Cheetahs for the paltry sum of USD500! I was lucky that I was the only one inside the park at that time… From then on the monitor followed me and led me into areas where visitors can not go so that I could be close to the animals. We saw a little bit of everything, but the coolest (after cheetahs, of course) was being face to face with the white rhino. Not only by the size and grandeur of the animal but also for its rarity! I had been trying to see them in Ngorongoro, but could only do it from half a mile away, and here were 3, 4 yards!
 
From there I went to the ‘David Sheldrick Wildlife Trusts Orphans Project’, an elephant orphanage! It is only open for visitation from 11am to 12pm, so it gets quite crowded!
 
The project seeks to reintroduce to the wild baby elephants who lost their mothers, trapped in swamps, swept away by rivers in the rainy season, or whose mother died of natural causes, or by hunters in search of ivory (to my surprise, the 2nd major cause of orphaned elephants). The elephants are found at different ages, abandoned, lost, or injured by lions. The youngest one was found when he was three days old!
 
The first step when they find an elephant is trying to identify the mother (if it was not killed), but when it is not possible the baby elephants are brought to the orphanage, since the elephants need their mothers to survive the first years of life. Today the orphanage houses 17 baby elephants besides two baby rhinos. The aim of orphanage is caring for elephants until they can be reintegrated into nature. Attempts to reintegrate the babies begin when they are one year old  and can take about five years, depending on the acceptance of the herds.
 
Visitation is only allowed during the nursing period, when the elephants are divided into two groups. I learn fantastic things, like the fact that the keepers spend the nights in the stables with baby elephants, to provide companionship and cover them with blankets sot that they feel cozy and safe! In the end, I met Kathy and the Test. When I was taking a picture a woman came forward and embraced the elephant. The animal put half of her arm inside of its mouth! It came out full of mud! Hehehe
 
Upon leaving, I saw Maxwell, a five year-old blind rhino found when it was still young. Since it could not survive by itself it was taken to the orphanage.
 
From the orphanage I went to Carnivore, the most famous restaurant in Nairobi. Everyone says that “Game Meat” is sold in Carnivore, but it is not true. Since 2004, Kenya’s government banned the sale of game meat. What remains are some exotic meats for foreigners such as camel, ostrich and crocodile. For USD40 Carnivore implements the Brazilian steakhouse model with meat served on a skewer. The main difference is that instead of “green/red” sign to indicate the end there is a flag that drops when you ‘quit’ eating. There are also sauces accompanying each meat. The meat that was offered to me was: chicken liver (I passed), pork sausage, pork ribs, beef testicles, ostrich meatballs, camel, lamb legs and sausage, turkey, crocodile, and beef (do not know which cut, but it was by far the best one).
 
I told Alex (the driver) that I was disappointed with the restaurant, and explained that steak houses in Brazil bring it to a whole new level. He didn’t like it much and said that Carnivore was voted 50th best restaurant in the world (but could not say by whom).
 
On the way to the Giraffe Center we saw a Muslim cemetery. Alex explained that Muslims do not build tombs for their dead. Instead, they plant a tree where they buried their loved ones.
 
The Giraffe Centre was another great experience! The giraffes that I had found so far were very shy, so it’s quite difficult to come by, and here it was possible to feed them! I discovered that there are three kinds of giraffes, all from the same species: the Rothschilds, the Maasai, and the reticulated (the latter two, in danger of extinction). I spent most of my time with two giraffes, Alyne, 15 year-old, and Patrick, 2 year-old. I must admit that love was in the air and Alyne kissed me a couple times! Lol
 
From there I went to the Karen Blixen Museum, which is a house of the woman who wrote ‘Out of Africa’ and whose life was told in the eponymous film. OK, but as I haven’t read the book nor seen the movie, the place did not tell me much. The summary is that a Danish (Karen) married a Swedish Baron (Bror von Blixen-Finecke) and went to Kenya in the 1910s. There, she fooled around with an English guy (David Finch), kicked the Baron and joined the English guy, who died later on in a plane crash. She invested money in a coffee plantation, but failed miserably and returned to Denmark in 30 years, after 17 years in Kenya. He wrote several books, but Out of Africa became famous and was turn into a film starring Robert Redford and Merrill Strip. That’s why the museum was so famous.
 
The museum is the house where she lived for 14 years in Kenya. It has a beautiful garden, some original furniture, replicas, and parts used in the movie, like the dining room, but that’s it!
 
After the usual confusion of the African airports I finally got my flight and went to Entebbe (in Uganda), but before I called Adrift (the company which organizes rafting on the Nile) and to have someone waiting at the airport to take me to Jinja, the base of the Nile. I would arrive at 9:30 pm and would be cumbersome to find transportation at that time. For USD50 I would also stay at the hotel where the rafting begins. That would save me a lot of time tomorrow!
 
The place was actually a camp, with several tents, some fixed tents (like the ones in Chobe), and two wooden chalets, where I stayed. When I arrived there was a party going on with some kids from the US, UK, and New Zealand. I left my bag in the room, went to the bar and ordered a beer, but in a few minutes they turned off the sound, and I went to sleep. It was about 1 am.


Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora